A escalada da ofensiva israelense em Gaza tem levantado preocupações sobre as possíveis consequências para a população palestina e a situação geopolítica na região. Especialistas ouvidos pela Agência Brasil oferecem insights sobre os rumos do conflito, destacando quatro fatores cruciais.
O cenário interno em Israel emerge como um ponto chave, com 80% dos israelenses expressando o desejo de ver o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu fora do poder. Analistas sugerem que Netanyahu, enfrentando pressões internas, opta por manter um discurso pró-guerra em resposta aos ataques terroristas do Hamas em outubro passado, buscando assim sustentar sua posição política.
Outro elemento crítico é o potencial envolvimento regional, com a ameaça de grupos armados como Hezbollah e houthis do Iêmen se unirem ao conflito. O recente acirramento dos ataques do Hezbollah contra Israel intensificou esse cenário, gerando incertezas sobre o desdobramento da guerra, agora equacionando uma dimensão regional.
A influência das eleições americanas também se faz presente. O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, expressa preocupação com a escalada do conflito, visando uma solução rápida para focar em questões internas. O apoio dos EUA a Israel, no entanto, não é absoluto, sugerindo uma pressão por moderação nas ações militares.
Internamente no Hamas, há divergências quanto à abordagem da ofensiva. Enquanto membros na Faixa de Gaza defendem a continuidade da guerra, os exilados, notadamente no Catar, buscam soluções negociadas visando participar de futuros governos na região.
A despeito das posições políticas, observa-se que a prolongada ofensiva não contribui para a desradicalização, aumentando a tensão e o número de órfãos em ambos os lados. Especialistas enfatizam que a resolução política é essencial para combater o extremismo.
O professor Vitelio Brustolin, da Universidade Federal Fluminense, argumenta que a radicalização é uma estratégia planejada pelo Hamas, buscando um impacto emocional significativo. Destacando a diferença entre os objetivos do Hamas e a causa palestina, ele ressalta a necessidade de soluções políticas para a promoção da paz.
Fora da região, negociações e pressões internacionais estão em curso. O Egito media acordos de cessar-fogo, enquanto a comunidade internacional, representada na ONU, pressiona por uma solução humanitária e pacífica. Contudo, com ambas as partes ainda não aceitando propostas, o desfecho da situação permanece indefinido, com projeções indicando a possível continuidade do conflito nos próximos meses. (com Inf da Ag. Brasil)


