Às vésperas do recesso do STF (Supremo Tribunal Federal), o ministro Dias Toffoli informou à corte que manterá sob sua responsabilidade o processo sobre as conversas de procuradores da Lava Jato acessadas por hackers durante o plantão. A decisão surpreende, uma vez que durante o recesso, normalmente, decisões urgentes ficam a cargo do presidente da corte e do vice. No entanto, Toffoli quis ficar apenas com o caso da Spoofing, podendo contar com o adiamento de julgamentos colegiados até fevereiro.
Neste contexto, Toffoli proferiu duas decisões relacionadas à Spoofing, gerando repercussão. Primeiramente, determinou a "nulidade absoluta" de todos os atos praticados contra o ex-governador Beto Richa no âmbito da Lava Jato, e posteriormente, suspendeu o pagamento da multa de R$ 10,3 bilhões aplicada contra a J&F no acordo de leniência do grupo Joesley e Wesley Batista.
Essas decisões chamaram atenção, especialmente porque o ministro atrelou o caso da Spoofing à anulação das provas do acordo de leniência da Odebrecht, proferida em setembro deste ano. A surpresa aumentou devido ao fato de a mulher de Toffoli, Roberta Rangel, ser advogada do grupo J&F, responsável pela atuação no litígio entre a empresa e a Paper Excellence pela Eldorado Celulose.
O caso envolve dezenas de políticos afetados pela colaboração dos executivos da J&F e foi inicialmente apresentado pela defesa do ex-presidente Lula. (com inf da FolhaPress)

