No mês de setembro, o preço médio das passagens de avião para voos domésticos atingiu um marco preocupante, registrando a maior média desde o início da série histórica em 2010, de acordo com dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com uma média mensal de R$ 747,66, os custos para os passageiros alcançaram um patamar que levanta questões sobre os fatores que contribuíram para esse aumento significativo.
O levantamento da Anac, considerando a média de preço de todos os assentos comercializados, aponta que a situação pode se agravar nos próximos meses. As passagens aéreas foram identificadas como o item de maior peso no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) nos meses de outubro e novembro. Essa tendência preocupa especialistas e consumidores, indicando que o final do ano pode reservar desafios adicionais para quem precisa viajar.
O endividamento das empresas aéreas surge como a principal justificativa apontada por especialistas para explicar os preços elevados, mesmo diante de fatores como a estabilização do dólar e a queda no preço do Querosene de Aviação (QAV) em relação a 2022. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) destaca que o setor enfrenta desafios significativos relacionados ao câmbio do dólar, que representa 60% dos custos das companhias aéreas, e ao aumento expressivo no preço do QAV, responsável por 41% dos custos.
O programa "Voa Brasil", que visa oferecer passagens a preços mais acessíveis, está em fase de negociação. O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, buscou compromissos das companhias aéreas para a apresentação de planos que reduzam os preços das tarifas. Entretanto, a Abear ressalta que a aviação comercial global ainda enfrenta desafios devido aos impactos na cadeia de suprimentos causados pela pandemia e à instabilidade geopolítica mundial.
O aumento do endividamento das empresas durante a pandemia é apontado como um fator crucial para a manutenção dos preços elevados, mesmo diante de condições favoráveis como a estabilidade do dólar e a redução nos preços dos combustíveis. O especialista no setor aéreo, André Castellini, destaca que as empresas enfrentaram uma significativa crise financeira durante a pandemia, resultando em um aumento considerável do endividamento. ( com inf do G1)


