Com a proximidade do verão, Mato Grosso do Sul já sente os efeitos das pancadas de chuva, antecipando uma temporada que não traz apenas alívio térmico. O aumento das precipitações, aliado às altas temperaturas, cria condições ideais para a proliferação do Aedes aegypti, elevando significativamente os casos de dengue no estado.
De acordo com o Boletim Epidemiológico Dengue da Secretaria de Estado de Saúde (SES), divulgado na última terça-feira (5), Mato Grosso do Sul registra alarmantes 40.460 casos confirmados da doença em 2023.
A capital, Campo Grande, lidera o ranking com 11.899 confirmações, seguida por Três Lagoas (4.666) e Corumbá (2.570). Embora Campo Grande apresente números expressivos, a incidência por número de habitantes é mais baixa. Surpreendentemente, o município de Alcinópolis destaca-se com a maior incidência, atingindo 9.213,1 casos por habitante.
Além dos casos, o boletim reporta 40 óbitos confirmados por dengue este ano, com duas mortes ainda em investigação. Este índice é o segundo mais alto em uma década, ficando atrás apenas de 2020, quando 42 óbitos foram contabilizados. Caso as mortes em investigação se confirmem como causadas pela dengue, 2023 assumirá a trágica liderança.
O coordenador de Controle de Vetores da SES, Mauro Lúcio Rosário, alerta que as condições climáticas favoráveis aumentam a transmissão de arboviroses como Dengue, Zika e Chikungunya, exigindo maior atenção durante os períodos quentes.
"A elevação da chuva e da temperatura em determinado mês explica parcialmente o número de aumento de casos de doenças por arbovírus apenas dois ou três meses depois. Quanto mais chuva, mais recipientes com água, consequentemente mais mosquitos, mais transmissão, mais doentes e mais óbitos", destaca Rosário.
O coordenador também ressalta a preocupação com o surgimento do sorotipo 3, prevendo uma epidemia de dengue mais severa em 2024. Nesse contexto, a sensibilização da população para eliminar criadouros e evitar a proliferação do mosquito torna-se crucial.
Medidas Preventivas e Cuidados Urgentes
Apesar de conhecidas, as medidas para evitar a proliferação do Aedes aegypti devem ser constantemente reforçadas. Mauro Lúcio Rosário destaca que mais de 80% dos focos positivos do mosquito estão nas residências. Entre as orientações estão:
- Evitar água parada em recipientes como tonéis, caixas d'água e barris;
- Acondicionar pneus em locais cobertos;
- Remover galhos e folhas de calhas;
- Não permitir água acumulada sobre lajes;
- Encher pratinhos de vasos com areia ou lavá-los semanalmente;
- Manutenção regular de piscinas.
Além disso, é crucial estar atento aos sintomas da dengue, que incluem febre alta, dor de cabeça intensa, dor nas articulações e erupção cutânea. Em casos mais graves, sintomas como dor abdominal, vômitos persistentes, diarreia, desânimo e sangramento de mucosa podem estar presentes.
Para dúvidas e notificações, a população pode contatar o Plantão CIEVS Estadual pelos telefones: (67) 9 8477-3435, 0800-647-1650 ou (67) 3318-1823. A mobilização da comunidade é fundamental para conter a disseminação da dengue e preservar a saúde pública.


