Desembargadores do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) estão sob intensa crítica após autorizarem pagamentos polêmicos para uma viagem à Espanha, onde participarão de um congresso de Direito Civil. Os magistrados Sebastião Ribeiro Martins, Aderson Antonio Brito Nogueira e Agrimar Rodrigues de Araújo, acompanhados de suas esposas, receberão R$ 97.789,96 em diárias para o evento de apenas dois dias em Salamanca, marcado para 16 e 17 de novembro.
O montante destinado aos desembargadores inclui uma diária nacional e nove internacionais, totalizando R$ 24 mil cada. Curiosamente, o evento dura apenas dois dias, mas as diárias serão pagas em dobro. Além disso, a viagem terá uma duração de nove dias, sendo cinco antes e dois após o congresso.
Embora a justificativa seja uma "viagem com fins institucionais", as autorizações assinadas e publicadas no Diário da Justiça do Piauí revelam que o único compromisso oficial é a participação no XI Congresso Intercontinental de Direito Civil, do Grupo Notorium, de Fortaleza (CE).
O chefe da Escola Judiciária do Tribunal de Justiça, desembargador José Ribamar Oliveira, defende a viagem, alegando a importância do congresso como espaço de discussão internacional entre juristas. Ele afirma que as esposas dos desembargadores não gerarão despesas ao Estado, contradizendo documentos que indicam que todas as despesas extras durante o período serão custeadas com dinheiro público.
A situação levanta questionamentos sobre a transparência e a ética no uso dos recursos públicos, especialmente em um momento em que o país enfrenta desafios econômicos significativos. A publicação das autorizações às vésperas do feriado prolongado de Finados também levanta suspeitas sobre a intenção de evitar uma maior visibilidade e questionamento público.


