No decorrer de um mês de conflito, a situação no Oriente Médio atingiu níveis alarmantes, especialmente na região de Gaza. Esta faixa de terra, adjacente a Israel e banhada pelo Mar Mediterrâneo, já enfrentava sérios desafios devido a habitações precárias, acesso limitado a suprimentos e uma densidade populacional extremamente alta, com 6.000 pessoas por quilômetro quadrado. Agora, é um território devastado pela guerra.
Nesse primeiro mês de conflito, do qual ainda não se vislumbra um fim, mais de 10 mil palestinos perderam suas vidas na região, que é reconhecida como território palestino ocupado. Além disso, mais de 1,5 milhão de pessoas, o que equivale a mais de 60% da população, foram forçadas a abandonar suas casas, e 260 mil residências foram parcial ou totalmente destruídas.
Os números chocantes têm origem no Ministério da Saúde de Gaza, que é controlado pelo grupo Hamas. A frequência dos bombardeios torna impossível verificar esses números no terreno, e, por isso, organizações como as Nações Unidas utilizam os dados das autoridades locais.
Diante das críticas, especialmente vindas de Tel Aviv, que questiona a veracidade das estatísticas, o Ministério da Saúde passou a informar que os números dos escritórios em Gaza estão sob supervisão do Ministério da Saúde em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, que é governada pela Autoridade Nacional Palestina.
A situação fica ainda mais crítica devido à falta de acesso a serviços de saúde, não apenas para os feridos no conflito atual, mas também para aqueles que sofrem de doenças crônicas ou enfermidades adquiridas recentemente. Hospitais e centros de saúde enfrentam a escassez de suprimentos médicos e combustível.
Segundo os dados palestinos, 16 dos 35 hospitais com capacidade de internação em Gaza pararam de funcionar, e 51 dos 72 centros de atenção primária fecharam as portas devido à falta de combustível. A escassez de gasolina também afeta o bombeamento de água, tornando-se um dos pontos mais críticos do conflito. Apenas na Cidade de Gaza, 25 estações de bombeamento de esgoto pararam de operar, aumentando o risco de vazamentos e inundações de resíduos.
Relatos de infecções respiratórias, diarreia e sarampo se multiplicam, especialmente nos superlotados abrigos da agência de refugiados da ONU, que acolhem cerca de 717 mil deslocados deste conflito. Esses abrigos, devido à presença da organização, permitem documentar mais facilmente casos de doenças transmissíveis.
Gaza abriga aproximadamente 350 mil pacientes com doenças crônicas, como diabetes e câncer. Além disso, mil palestinos dependem de diálise regularmente, mas pelo menos 80% dos centros que oferecem esse procedimento estão localizados na região mais bombardeada por Israel, a qual Tel Aviv exige que seja desocupada sob ameaça de uma invasão terrestre.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta sobre a situação das mulheres grávidas e puérperas em Gaza, onde cerca de 50 mil mulheres grávidas enfrentam um parto potencialmente complicado. Estima-se que 15% delas precisarão de assistência médica devido a complicações relacionadas à gravidez ou ao parto.
As crianças também são gravemente afetadas por esse conflito, já que aproximadamente 41% da população de Gaza tem até 14 anos. A taxa de natalidade na região é alta, com uma média de 3,3 filhos por mulher, em comparação com a média global de 2,3. Isso faz com que as crianças palestinas representem uma parte significativa das vítimas, totalizando mais de 4.600 até o momento, de acordo com o Ministério da Saúde local. Isso levou várias autoridades globais, incluindo o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, a se referirem a Gaza como um "cemitério de crianças".


