O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, tomou a decisão de enviar à Polícia Federal a análise de uma arrecadação de fundos, popularmente conhecida como "vaquinha", que totalizou a quantia de R$ 17,1 milhões destinados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A solicitação para que o caso fosse investigado pela corporação partiu da Procuradoria-Geral da República (PGR) no mês anterior. Esses valores haviam sido revelados em julho por um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
No pedido apresentado pela PGR ao STF, parlamentares alegaram que "os depósitos teriam sido realizados em decorrência da campanha de arrecadação para pagamento de multas judiciais ostensivamente feita nas redes sociais pelo ex-presidente". Além disso, apontaram que um relatório do Coaf destacou "movimentações atípicas nas contas do noticiado", com um total de 769 mil transações.
A PGR afirmou que é relevante encaminhar a representação à Polícia Federal, "especialmente se as transações atípicas, noticiadas pelo Coaf à mencionada CPMI [do 8 de Janeiro, no Congresso Nacional], foram realizadas por doadores envolvidos na organização criminosa investigada nestes autos."
Na época em que os valores foram divulgados pelo Coaf, a defesa de Jair Bolsonaro alegou que esses recursos tinham uma "origem absolutamente lícita". Eles afirmaram que os valores apontados pelo Coaf "são provenientes de milhares de doações efetuadas via Pix por seus apoiadores." Além disso, destacaram que a ampla divulgação dessas informações pelos veículos de imprensa representou uma violação criminosa do sigilo bancário e da intimidade, protegidos pela Constituição Federal.
Vale ressaltar que os R$ 17,1 milhões arrecadados por meio de transferências via Pix equivalem a sete vezes o patrimônio declarado por Bolsonaro ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que foi de R$ 2,3 milhões nas eleições anteriores. Essa quantia seria mais do que suficiente para cobrir as multas por descumprimento de decisões judiciais, que foi o motivo inicial que levou os apoiadores do ex-presidente a realizar essa "vaquinha" em seu favor.

