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há 2 anos

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Putin anuncia teste bem-sucedido de míssil nuclear Burevestnik e destaca o poderio nuclear russo

Em meio a crescentes tensões internacionais, presidente russo destaca a força nuclear russa e aborda as condições para o uso de armas nucleares

O presidente russo, Vladimir Putin, anunciou que a Rússia realizou com sucesso um teste do novo míssil estratégico Burevestnik. Trata-se de um míssil de cruzeiro com propulsão nuclear e capacidade nuclear, com um alcance potencial de milhares de quilômetros. O anúncio foi feito durante uma reunião anual com analistas e jornalistas, na qual Putin também informou que a Rússia estava prestes a concluir os trabalhos em seu sistema de mísseis balísticos intercontinentais Sarmat, um componente crucial de sua nova geração de armas nucleares.  O míssil foi testado no mês de outubro, em meio às tensões geopolíticas.

Desde o início da invasão da Ucrânia, em fevereiro de 2022, Putin tem repetidamente destacado o poderio nuclear da Rússia. Ele enfatizou que, em "sã consciência", ninguém usaria armas nucleares contra a Rússia. O líder russo afirmou que, se um ataque nuclear fosse detectado, um grande número de mísseis russos apareceria nos céus, tornando virtualmente impossível a sobrevivência de qualquer agressor.

Sebraetec

Apesar de a Rússia não ter realizado testes nucleares com explosões desde 1990, um ano antes do colapso da União Soviética, Putin não descartou a possibilidade de retomar tais testes. Ele observou que os Estados Unidos não ratificaram o tratado que proíbe testes nucleares, enquanto a Rússia o assinou e ratificou. Isso significa que teoricamente a Duma, o Parlamento russo, poderia revogar sua ratificação desse tratado.

Especialistas em assuntos militares alertam que a retomada de testes nucleares pela Rússia, pelos Estados Unidos ou por ambos poderia ser altamente desestabilizadora, especialmente em um momento em que as tensões entre esses dois países atingiram níveis não vistos em décadas. Putin suspendeu a participação da Rússia no tratado Start, que limita o número de armas nucleares que cada lado pode ter.

No entanto, Putin argumentou que a Rússia não precisava revisar sua doutrina de uso de armas nucleares, que estabelece que o país pode usá-las em resposta a um ataque nuclear ou em caso de ameaça à existência do Estado. Ele afirmou que "não há nenhuma situação hoje em que algo possa ameaçar o Estado russo e a existência do Estado russo", acrescentando que nenhuma pessoa sensata pensaria em usar armas nucleares contra a Rússia.

Essa declaração de Putin responde a analistas russos, como Sergei Karaganov, que argumentam que a Rússia deveria reduzir as condições para o uso de armas nucleares como forma de "conter, assustar e despertar nossos oponentes". Karaganov propôs ameaçar ataques nucleares a países europeus e bases dos EUA na Europa como forma de "abalá-los". Putin, no entanto, não viu a necessidade de adotar tal abordagem.

O anúncio do teste bem-sucedido do míssil Burevestnik e a discussão sobre o poderio nuclear russo aumentam as preocupações internacionais sobre a escalada das tensões e o uso de armas nucleares em um contexto geopolítico tenso.

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