O fundo imobiliário TRX Real Estate (TRXF11) enfrentou uma semana de forte pressão na Bolsa após anunciar uma emissão de até R$ 10 bilhões em novas cotas. O movimento levantou dúvidas entre investidores sobre o ritmo de crescimento, o nível de endividamento e a capacidade do fundo de sustentar os atuais dividendos.
No acumulado da semana encerrada na sexta-feira (21), as cotas do TRXF11 recuaram 9,37%. Somente na sexta, a queda foi de quase 3%, com o fundo fechando negociado a R$ 71,70. No início de 2026, a cota estava em R$ 91,63.
A desvalorização acontece em meio a um período de forte expansão. Em 2025, o patrimônio líquido do fundo era de aproximadamente R$ 2 bilhões e atualmente está na casa dos R$ 6 bilhões.
Alavancagem preocupa investidores
Um dos principais pontos de atenção é o endividamento. O TRXF11 possui cerca de R$ 10 bilhões em ativos, passivo total de R$ 3,9 bilhões e aproximadamente R$ 800 milhões em ativos de liquidez. A alavancagem líquida está em torno de 31%.
Durante evento realizado na quinta-feira (20), o CEO da TRX, Luiz Amaral, reconheceu que o patamar pode ser considerado elevado pelo investidor pessoa física, mas afirmou não considerar a situação problemática.
O executivo também se comprometeu a trabalhar para reduzir a alavancagem para uma faixa entre 20% e 25%. Entre as estratégias estão reciclagem de ativos, refinanciamentos e eventual valorização do portfólio.
Dividendos também entram no radar
Atualmente, o TRXF11 distribui R$ 0,93 por cota. Em julho, esse valor representou um dividend yield mensal de 1,02%, considerando a cotação de fechamento daquele mês.
Apesar de afirmar que a gestora pretende continuar buscando o crescimento dos rendimentos ao longo do tempo, Amaral disse que não é possível garantir a manutenção do atual nível de dividendos.
A declaração aumentou a cautela entre os investidores e contribuiu para manter a pressão sobre as cotas.
Emissão de até R$ 10 bilhões
A nova emissão também colocou o modelo de expansão do TRXF11 no centro das discussões. Parte das aquisições realizadas pelo fundo utiliza cotas como forma de pagamento aos vendedores dos imóveis.
Uma das preocupações é que esses vendedores decidam posteriormente negociar os papéis recebidos, aumentando a oferta de cotas no mercado e pressionando os preços.
A TRX afirma adotar mecanismos para reduzir esse risco, como períodos de restrição para venda das cotas e limites diários de negociação por vendedor.
O preço previsto para a nova emissão, de R$ 94,39 por cota, também chamou a atenção por estar abaixo dos valores observados em ofertas anteriores, que ficaram próximos de R$ 100.
Fundo diversifica carteira
O TRXF11 também passa por uma mudança no perfil dos investimentos. Antes mais concentrado em imóveis de varejo, o fundo ampliou a presença no segmento logístico.
Atualmente, imóveis logísticos representam 56,3% da carteira, enquanto o varejo corresponde a 28,3%. O portfólio reúne cerca de 350 locatários, e o Mercado Livre é o maior deles, com participação de 14,51%.
Além dos imóveis, 11,41% do patrimônio está investido em cotas de outros fundos imobiliários, 8,20% em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e 2,36% em renda fixa.
CEO admite falha na transparência
Diante das críticas, Luiz Amaral reconheceu que a gestora poderia ter adotado maior transparência antes de anunciar a nova emissão. Segundo ele, uma reavaliação extraordinária do valor patrimonial das cotas poderia ter sido realizada antes da operação.
Mesmo com a reação negativa do mercado, a administração mantém a estratégia de expansão. A intenção é aumentar a escala do TRXF11 e tornar o fundo mais atrativo para investidores institucionais, inclusive estrangeiros.
A queda recente mostra, porém, que o mercado ainda mantém cautela diante da velocidade desse crescimento e dos riscos associados ao aumento da alavancagem.
*Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento.*

