O Brasil iniciou uma nova etapa de avaliação das relações comerciais com os Estados Unidos após o governo federal abrir o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica em resposta às novas tarifas impostas sobre produtos brasileiros.
A medida é acompanhada pela Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, que defende a busca por uma solução negociada, sem descartar os instrumentos previstos na legislação para proteger os interesses comerciais do país.
Em nota divulgada nesta sexta-feira (14), o presidente da comissão, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que o processo não representa a adoção automática de contramedidas. Segundo o Estadão, a iniciativa abre uma etapa de avaliação e consultas diplomáticas que pode se estender por meses.
“Acredito que o primeiro caminho deve ser o diálogo. Ao mesmo tempo, não podemos abrir mão dos instrumentos legítimos que o próprio Congresso Nacional criou para proteger os interesses do Brasil quando necessário”, afirmou o senador.
Tarifas atingem exportações brasileiras
As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos alcançam cerca de 3 mil produtos brasileiros. A sobretaxa é cobrada dos importadores norte-americanos no momento em que as mercadorias entram no país.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, aproximadamente 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos devem ser afetadas pela medida.
Diante do cenário, a CRE vem acompanhando os impactos das tarifas sobre diferentes setores da economia e as medidas que podem ser adotadas pelo governo brasileiro.
Em julho, a comissão solicitou ao Ministério do Desenvolvimento informações sobre a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica, os estudos conduzidos pela Câmara de Comércio Exterior e possíveis mudanças necessárias na legislação.
Proteínas estão entre os setores monitorados
No dia 4 de agosto, um grupo de trabalho criado pela comissão discutiu o acesso das exportações brasileiras a mercados internacionais. O encontro reuniu representantes do governo e do setor privado, com atenção especial às proteínas de origem animal.
A preocupação envolve os efeitos das tarifas sobre empresas brasileiras que dependem do mercado norte-americano e a busca por alternativas para preservar o fluxo de comércio.
Além das negociações diplomáticas, o governo federal adotou medidas de apoio aos setores afetados. Uma delas é a Medida Provisória 1.379/2026, que criou o Plano Brasil Soberano 3 e prevê R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores considerados estratégicos.
A estratégia brasileira, segundo a avaliação apresentada pela CRE, combina a tentativa de manter o diálogo com os Estados Unidos com a preparação de medidas para proteger os interesses econômicos do país caso as negociações não avancem.

