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Incertezas

há 3 meses

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Alta do petróleo já pressiona previsões de inflação e juros para 2026

Instituições financeiras revisam estimativas diante da disparada do petróleo, com impactos esperados sobre combustíveis e política monetária

O aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, impulsionado pelas tensões no Oriente Médio, já começa a alterar as projeções econômicas para o Brasil em 2026. Analistas de instituições como XP e Banco Inter passaram a prever inflação mais elevada e um ritmo mais moderado de queda da taxa básica de juros.

As revisões ocorreram após novos dados de inflação e diante da manutenção do barril de petróleo em patamares elevados, acima dos US$ 100.

Alems

Inflação sob pressão

A XP elevou sua projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026 de 3,8% para 4,5%. Já o Banco Inter ajustou sua estimativa de 3,8% para 4,3% no mesmo período, mantendo a previsão de 3,4% para 2027.

Apesar de o impacto direto do conflito ainda não ter sido totalmente refletido nos índices, economistas apontam sinais de pressão, como a alta recente nos preços do diesel. A expectativa é de que o encarecimento dos combustíveis tenha efeitos indiretos, especialmente sobre fretes e alimentos.

Os analistas da XP consideram, como base para suas projeções, a elevação do preço médio do petróleo Brent de US$ 60 para US$ 80 por barril, além de um câmbio em torno de R$ 5,25 no primeiro semestre e R$ 5,50 no segundo.

Efeitos sobre combustíveis e economia

A perspectiva é de aumento nos preços da gasolina nos próximos meses, com impacto relevante na inflação. Mesmo sem reajustes formais, os preços praticados já indicariam pressão sobre o consumidor.

No caso do diesel, embora o impacto direto no índice de inflação seja menor, há expectativa de efeitos indiretos sobre o custo do transporte, o que tende a influenciar o preço de diversos produtos.

Para o Banco Inter, a valorização recente do petróleo, estimada em cerca de 50%, também deve afetar outras commodities, ampliando a pressão inflacionária em setores como alimentação e bens industriais.

A economista Rafaela Vitória avalia, no entanto, que esse movimento pode ser temporário: “Considerando a valorização de cerca de 5% do real acumulada no ano, juntamente com o desaquecimento da demanda, resultado da política monetária bastante restritiva, a alta da inflação deve ter caráter transitório, se dissipando no segundo semestre. Com isso, mantemos nossa visão de longo prazo, com a inflação convergindo para próximo do centro da meta em 2027, em 3,4%”.

Juros e cenário de incerteza

Com a inflação projetada em patamar mais alto, o cenário para a taxa Selic também foi revisado. A XP ainda prevê cortes graduais, mas admite que o ritmo pode ser menor diante do ambiente mais desafiador.

Já o Banco Inter projeta um corte mais cauteloso na próxima reunião do Banco Central e elevou a estimativa da Selic ao fim do ano de 12% para 12,5%.

Para Rafaela Vitória, o cenário externo mais instável reduz o espaço para uma política monetária mais agressiva. “Apesar do espaço para uma redução maior, o tom adotado pelo Banco Central mostra maior preocupação com o impacto da guerra na evolução da inflação, considerando o mercado de trabalho ainda aquecido e a inflação ainda acima do centro da meta”.

A economista também destaca que o contexto atual difere de choques anteriores no preço do petróleo, o que pode influenciar a intensidade dos efeitos sobre a economia. “Entretanto, nem todos os choques de petróleo produzem os mesmos efeitos. A experiência histórica mostra que o impacto depende fortemente do contexto macroeconômico inicial. Diferentemente dos choques dos anos 1970, que ocorreram em um ambiente de inflação estruturalmente elevada, ou de 2022, quando a economia global enfrentava fortes pressões de demanda, desorganização das cadeias produtivas e política monetária expansionista, o atual episódio se dá em um contexto distinto”.

O ambiente de maior incerteza, somado a riscos fiscais e ao cenário internacional, tende a influenciar as decisões futuras do Banco Central ao longo do ciclo de política monetária.

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