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Brasil

há 3 meses

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Biocombustíveis colocam Brasil em posição estratégica diante da alta do petróleo, diz The Economist

Análise da revista destaca que investimentos históricos em energia alternativa ajudam país a enfrentar crise global

Em meio à escalada dos preços do petróleo e à crise energética provocada por tensões no Oriente Médio, o Brasil aparece como um dos países mais preparados para enfrentar os impactos do cenário internacional. A avaliação é da revista britânica The Economist, que destaca os biocombustíveis como diferencial estratégico da matriz energética brasileira.

Segundo a publicação, o país construiu ao longo de décadas uma base sólida de alternativas ao petróleo, o que reduz a vulnerabilidade a choques externos. No artigo, a revista afirma que "o Brasil tem uma arma secreta contra choques do petróleo" e que "os biocombustíveis vão ajudar o país a enfrentar os efeitos do conflito no Oriente Médio".

Alems

Crise global pressiona preços da energia

A atual instabilidade teve início no fim de fevereiro, com o agravamento do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. A situação impactou diretamente o mercado energético global, especialmente após o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota por onde circula cerca de 20% da energia consumida no mundo.

Com isso, o barril do petróleo Brent voltou a ultrapassar a marca dos US$ 100, chegando a picos superiores a US$ 110. O cenário de incerteza política, com declarações do presidente Donald Trump sobre possíveis negociações, também contribui para a volatilidade dos preços.

Vantagem brasileira está na diversificação

De acordo com a The Economist, poucos países estavam preparados para enfrentar um choque dessa magnitude, mas o Brasil é uma exceção. Isso se deve à consolidação de uma indústria de biocombustíveis considerada uma das mais avançadas do mundo.

A reportagem ressalta que esses combustíveis fazem parte da estrutura do consumo nacional, com mistura obrigatória à gasolina e ao diesel em níveis elevados — cerca de 30% e 15%, respectivamente. Além disso, a frota brasileira contribui para essa flexibilidade energética. "três quartos dos veículos leves no Brasil possuem tecnologia que permite rodar com qualquer mistura, desde gasolina pura até etanol 100%".

"Isso reduz a dependência do Brasil de combustíveis fósseis importados e protege o país contra mercados inflacionados. O preço da gasolina nos postos brasileiros subiu 10% desde o início da guerra, e o do diesel, 20%, segundo dados divulgados em 20 de março pelo regulador de energia. É um aumento doloroso, mas muito abaixo dos saltos de 30% a 40% observados nos Estados Unidos."

Estratégia construída ao longo de décadas

A publicação relembra que a aposta brasileira em biocombustíveis começou ainda na década de 1970, durante outra crise internacional do petróleo. Naquele período, o país importava grande parte do combustível que consumia, e a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar surgiu como alternativa.

"Na época, o Brasil importava 80% do combustível que consumia; o embargo árabe estava sufocando a economia. Transformar o excedente de cana-de-açúcar em etanol foi uma solução óbvia", aponta o texto.

Nos últimos anos, políticas públicas também ampliaram o uso de outras fontes, como o biodiesel. A revista destaca que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém incentivo ao setor, enxergando benefícios tanto econômicos quanto ambientais. "Lula vê os biocombustíveis como solução para dois problemas. Primeiro, reforçam a soberania de um país que, apesar de ser um dos maiores exportadores de petróleo bruto do mundo", afirma. "Segundo, permitem ao Brasil reduzir as emissões de gases de efeito estufa sem alienar os agricultores, que produzem as matérias-primas dos biocombustíveis."

Apesar das vantagens, a análise ressalta que os biocombustíveis não eliminam completamente os efeitos da alta do petróleo. Ainda assim, o Brasil entra no atual cenário global em posição relativamente mais favorável e pode até se beneficiar do aumento da demanda por fontes alternativas de energia.

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