A dívida pública federal (DPF) alcançou R$ 8,641 trilhões em janeiro de 2026, conforme dados divulgados nesta quarta-feira (25) no Relatório Mensal da Dívida (RMD) pelo Tesouro Nacional. O montante representa crescimento de 0,07% na comparação com dezembro.
Segundo o órgão, a variação foi influenciada principalmente pela apropriação positiva de juros, que somou R$ 74,79 bilhões, parcialmente compensada por resgates líquidos de R$ 68,76 bilhões no período.
Com o resultado, o estoque da DPF iniciou o ano fora da faixa projetada no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2025, que previa intervalo entre R$ 9,7 trilhões e R$ 10,3 trilhões.
Prazo médio e definição da dívida
O prazo médio da dívida — indicador que mede o tempo médio necessário para o refinanciamento dos compromissos — passou de 4 anos em dezembro para 4,03 anos em janeiro. O número permanece dentro da meta estabelecida no PAF de 2026, fixada entre 3,8 e 4,2 anos.
A dívida pública federal corresponde aos compromissos assumidos pelo Tesouro para cobrir o déficit orçamentário, quando as despesas do governo superam as receitas. Ela pode ser classificada conforme o tipo de título emitido e a moeda em que são realizados os pagamentos.
A emissão líquida, por sua vez, reflete a diferença entre os títulos emitidos e os resgatados pela União. Já a apropriação positiva de juros ocorre quando o retorno obtido com os títulos supera os encargos pagos aos investidores.
Em 2025, o estoque da dívida encerrou o ano em R$ 8,6 trilhões, dentro dos limites estipulados pelo planejamento anual de financiamento.
Composição por indexador
Em janeiro, quase metade da dívida estava vinculada à taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 15% ao ano. A distribuição ficou da seguinte forma:
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Taxa flutuante (Selic): 49,42%;
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Índices de preços (IPCA): 26,35%;
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Prefixados: 20,65%;
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Câmbio: 3,58%.
Perfil dos detentores
As instituições financeiras permanecem como principais credoras da dívida pública, embora tenham reduzido sua participação no início do ano. O estoque detido pelo grupo recuou de R$ 2,7 trilhões para R$ 2,6 trilhões, o equivalente a 31,92% do total.
A Previdência Social manteve participação de 22,66%, com R$ 1,8 trilhão em títulos.
Outros detentores incluem:
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Fundos de investimento: 21,36% (R$ 1,7 trilhão);
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Não-residentes: 10,69% (R$ 890 bilhões);
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Seguradoras: 3,63% (R$ 302 bilhões);
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Governo: 2,76% (R$ 230 bilhões);
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Outros: 6,97% (R$ 580 bilhões).
Reserva de liquidez
O chamado “colchão” da dívida — reserva mantida na Conta Única do Tesouro Nacional, junto ao Banco Central — apresentou queda em janeiro. O volume disponível recuou 8,59%, passando de R$ 1,1 trilhão para R$ 1 trilhão.
De acordo com o relatório, o montante atual é suficiente para cobrir 6,77 meses de vencimentos de títulos públicos.


