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há 5 meses

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Veterano de Wall Street e crítico do Fed: quem é Kevin Warsh, escolha de Trump

Ex-diretor do banco central americano endureceu discurso nos últimos anos e passou a defender mudanças na política monetária, em sintonia com o presidente dos EUA

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de indicar Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed) não causou surpresa no mercado financeiro. O nome do ex-diretor da autoridade monetária já aparecia, nas últimas semanas, como favorito em apostas e análises especializadas, à frente de outros cotados para substituir Jerome Powell, cujo mandato termina em maio.

“Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos grandes presidentes do Fed, talvez o melhor”, escreveu Trump em publicação na Truth Social nesta sexta-feira (30).

Alems

Disputa interna e virada no favoritismo

Além de Warsh, o próprio Trump havia citado outros três possíveis candidatos ao cargo: Kevin Hassett, chefe do Conselho Econômico Nacional; Christopher Waller, atual diretor do Fed; e Rick Rieder, diretor de investimentos em renda fixa da BlackRock.

Até recentemente, Hassett era apontado como o principal nome. No entanto, perdeu espaço após Trump declarar, em evento na Casa Branca, que preferia manter o conselheiro em sua função atual. Com isso, Warsh ganhou força e passou a liderar as projeções em plataformas como a Polymarket.

Perfil de Wall Street

Kevin Warsh é visto como um profundo conhecedor dos bastidores do sistema financeiro americano, com forte trânsito em Wall Street e em Washington — reputação que lhe rendeu o rótulo de “raposa” do mercado. Nos últimos anos, chamou a atenção de Trump por adotar publicamente críticas ao funcionamento do sistema financeiro e à atuação do próprio Fed.

Indicado originalmente ao banco central em 2006, durante o governo de George W. Bush, Warsh atuou como diretor do Fed até 2011. Antes disso, foi assistente especial da Presidência para política econômica e secretário-executivo do Conselho Econômico Nacional.

Durante seu período no Conselho de Governadores, acompanhou de perto a crise financeira de 2008 e participou das negociações envolvendo o Tesouro americano, o Fed e grandes instituições financeiras, em meio ao colapso de bancos como o Lehman Brothers. Mesmo críticos reconhecem sua influência e capacidade de articulação nos centros de poder econômico.

Críticas à política monetária

A postura de Warsh em relação ao Fed mudou de forma significativa nos últimos anos. O ex-diretor passou a defender abertamente uma “mudança de regime” na condução da política monetária, questionando os critérios usados para definir a taxa de juros e criticando a expansão do balanço da autoridade monetária.

Alinhado a Trump, Warsh defende uma política menos restritiva, com cortes mais intensos nos juros, argumento que agrada à Casa Branca. Em entrevista à Fox Business, em outubro do ano passado, foi direto ao tratar do tema.

“Juros mais baixos, combinados com o tipo de revolução tecnológica que as políticas do presidente permitiram, com o enorme volume de investimentos que está acontecendo na economia doméstica e vindo do exterior, são a semente da nossa revolução de produtividade”, afirmou.

Formação e trajetória profissional

Natural de Albany, no estado de Nova York, Kevin Warsh tem 55 anos. É formado em Políticas Públicas pela Universidade de Stanford, com foco em economia e estatística, e graduado em Direito pela Universidade de Harvard. Também realizou estudos complementares na Harvard Business School e no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), com ênfase em mercados e regulação.

A carreira profissional começou no banco Morgan Stanley, onde trabalhou por sete anos na área de fusões e aquisições. Após deixar o Fed, em 2011, passou a dividir seu tempo entre a academia e o mercado financeiro. Atualmente, é pesquisador visitante do Instituto Hoover, da Universidade de Stanford, professor na Escola de Negócios da instituição e sócio-consultor da gestora Duquesne Family Office.

Warsh também integra conselhos de administração de empresas como a UPS e a Coupang, além de participar de fóruns internacionais de debate econômico, como o Grupo dos Trinta e o painel de consultores do Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA.

Repercussão no mercado

Para analistas, a indicação foi bem recebida. Segundo Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a escolha de Warsh “amenizou os movimentos de queda dos futuros americanos, reforçando que o mercado o vê como um nome com credibilidade institucional”.

“Warsh, ex-governador do Fed de 2006 a 2011, defende cortes de juros, mas é conhecido por ter historicamente uma postura ‘hawkish’ (mais rígida), o que diminui a visão de risco de captura política total do Banco Central, diferentemente do que Rieder ou Hassett poderiam representar. A expectativa de uma postura mais dura, porém, pode pressionar no curto prazo papéis de crescimento e tech via expectativa de custos mais altos”, analisa.

“Para o Brasil e emergentes, o impacto pode ser de pressão via dólar forte e retornos globais mais altos no curto prazo, com a projeção de juros caindo mais lentamente. Mas o mais importante é que a escolha de Trump baixa o risco político e pode levar a uma reprecificação global de taxas mais saudável para o longo prazo.”
 

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