Mato Grosso do Sul apresentou um avanço expressivo no perfil de renda da população nos últimos dois anos. Dados de um levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) mostram que, entre 2022 e 2024, o percentual de moradores inseridos nas classes A, B e C subiu de 80,28% para 84,07%, um crescimento de 3,79 pontos percentuais no período.
O resultado indica uma redução da parcela da população nas faixas de menor renda e uma ampliação da chamada classe média no Estado. As classes A, B e C reúnem famílias com renda mensal superior a quatro salários mínimos, sendo a classe C considerada o núcleo da classe média brasileira.
Impacto de políticas públicas e do mercado de trabalho
Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, os números refletem o efeito de políticas voltadas à população de baixa renda, associadas à geração de emprego e renda.
“A gente vê pessoas que estavam no Cadastro Único, no Bolsa Família, e que agora estão na classe média. Isso mostra que o programa não é só transferência de renda. Ele abre portas para a educação, para o trabalho e para o empreendedorismo”, afirmou.
O avanço observado em Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência nacional. No mesmo intervalo, cerca de 17,4 milhões de brasileiros deixaram as classes D e E e passaram a integrar as classes A, B e C, o que representa um aumento de 8,44 pontos percentuais, segundo a FGV. O estudo foi elaborado a partir de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
De acordo com a pesquisa, a mobilidade social registrada entre 2022 e 2024 ocorreu em ritmo 74% mais acelerado do que o verificado entre 2003 e 2014, outro período marcado por forte ascensão social no país.
O diretor da FGV Social e responsável pelo levantamento, Marcelo Neri, destaca que o principal fator para esse movimento foi o aumento da renda proveniente do trabalho.
“O ganho de renda do trabalho foi o principal motor de ascensão social da chamada classe média. A regra de proteção do Bolsa Família impulsiona a geração de carteiras de trabalho, que talvez seja o principal símbolo da nova classe média vinda da base da distribuição de renda”, explicou.
Recorde histórico no país
O estudo também aponta que a articulação entre programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), e políticas de acesso à educação, crédito e emprego foi decisiva para a elevação da renda das famílias.
Em 2024, o Brasil alcançou o maior nível histórico de participação das classes A, B e C desde 1976, com 78,18% da população nessas faixas. Em contrapartida, as classes D e E registraram os menores percentuais da série histórica.
Para Wellington Dias, o cenário reforça a importância da combinação entre crescimento econômico e políticas sociais.
“Os mais pobres vêm ganhando oportunidades com o crescimento econômico, acesso ao emprego e a pequenos negócios, ampliando a renda e a capacidade de consumo, o que também impulsiona a economia”, concluiu.


