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há 5 meses

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Macron classifica tarifas dos EUA como "inaceitáveis" em Davos e alerta riscos à cooperação global

Presidente francês critica política comercial de Trump no Fórum Econômico Mundial e defende multilateralismo e respostas europeias a ameaças tarifárias

Durante sua participação no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, o presidente da França, Emmanuel Macron, fez duras críticas às propostas de tarifas progressivas sugeridas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direcionadas a países europeus. Macron afirmou que tais medidas são “inaceitáveis” e ressaltou que disputas comerciais entre aliados apenas geram perdas para todos os envolvidos.

Em seu discurso, preparado para o evento que reúne líderes mundiais, empresários e autoridades internacionais, o presidente francês também reforçou a importância de um diálogo franco entre as principais economias, com vistas ao próximo encontro do G7, enfatizando que soluções cooperativas são mais eficazes do que posturas protecionistas.

Alems

Críticas às tarifas e defesa do multilateralismo

Macron condenou as ameaças tarifárias de Washington, que vêm sendo discutidas no contexto de tensões comerciais e políticas recentes, incluindo reclamações de Trump em relação à Groenlândia e à relação transatlântica. Segundo o líder francês, aceitar tais práticas significaria ceder à “lei do mais forte” e enfraquecer o sistema multilateral que sustenta a cooperação e a estabilidade econômica global.

“Guerras de comércio, escalação protecionista, lutas em direção à produção de outras coisas, só vão produzir perdidos”, afirmou o presidente francês. 

Esta posição se insere em um momento de forte deterioração nas relações entre EUA e União Europeia, com líderes europeus rejeitando o uso de tarifas punitivas como ferramenta de política externa e comercial, inclusive em resposta às ambições americanas na Groenlândia e a ameaças de tarifas adicionais sobre produtos europeus.

Fortalecimento de respostas europeias e diversificação de parcerias

Macron aproveitou o discurso para defender que a Europa utilize os instrumentos disponíveis para proteger seus interesses comerciais, incluindo o chamado Instrumento Anticoerção, uma “bazuca” comercial que pode ser usada para retaliar pressões econômicas de países terceiros.

Ele também destacou a necessidade de diversificação de parceiros econômicos e de fomentar relações com países emergentes – inclusive citando o grupo BRICS e a importância de maior investimento chinês em setores estratégicos europeus.

Desafios à competitividade da Europa

Macron reconheceu que a competitividade da União Europeia ainda enfrenta desafios, principalmente devido ao baixo investimento privado comparado aos Estados Unidos, mas defendeu que a previsibilidade e o respeito às normas jurídicas europeias podem servir como vantagem em um cenário global cada vez mais complexo e competitivo.

O discurso ocorreu em meio a uma série de reações internacionais às ameaças dos EUA, com líderes europeus se articulando para uma resposta coordenada, incluindo reuniões de emergência da União Europeia para discutir possíveis contramedidas econômicas e tarifárias.

G7 e perspectivas futuras

Macron também citou a próxima presidência francesa do G7, destacando que pretende usar esse fórum para fortalecer o diálogo entre as maiores economias do mundo e buscar respostas coletivas aos desafios econômicos e geopolíticos atuais. Esta reunião está sendo vista como uma oportunidade para reafirmar compromissos com o multilateralismo e com uma ordem internacional baseada em regras, frente às crescentes tensões entre aliados tradicionais.

Contexto global em tensão

As declarações de Macron refletem um momento de crescente atrito entre os Estados Unidos e a União Europeia, que inclui não apenas discussões comerciais, mas também debates sobre segurança, soberania e alianças estratégicas no Ártico. As atitudes recentes de Trump têm sido interpretadas por muitos líderes europeus como uma ameaça à ordem internacional e à cooperação transatlântica, o que pode ter impactos duradouros nas relações entre os dois blocos.

Manifestação de Trump respondida por Macron

As críticas de Emmanuel Macron no Fórum Econômico Mundial foram uma resposta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaçou adotar medidas comerciais duras contra a França. Trump afirmou que pretende impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses caso Paris não aceite aderir ao chamado Conselho da Paz, iniciativa liderada por Washington.

Segundo o presidente americano, o novo organismo teria atuação inicial voltada à guerra na Faixa de Gaza, mas poderia se expandir para a prevenção de conflitos globais, funcionando como uma alternativa aos atuais mecanismos multilaterais.

“Se a França não entrar no Conselho da Paz, vamos responder com tarifas de 200% sobre seus vinhos e champanhes”, disse Trump.

Ao comentar a resistência francesa, o republicano fez críticas diretas ao líder europeu e afirmou que Macron “não ficará muito tempo no cargo”, sinalizando desgaste político do presidente francês diante do cenário internacional.

Trump também declarou que o conselho já conta com convites formais a líderes centrais do atual tabuleiro geopolítico. Segundo ele, Vladimir Putin (Rússia) e Volodymyr Zelenskyy (Ucrânia) foram convidados a participar. Pelo plano apresentado pela Casa Branca, países interessados em um assento permanente no grupo teriam de contribuir com US$ 1 bilhão, enquanto os demais poderiam integrar o conselho por mandatos rotativos de três anos.

A proposta americana tem gerado forte reação no meio diplomático europeu, especialmente por combinar pressão comercial direta com a tentativa de criação de um novo arranjo internacional sob liderança dos Estados Unidos, em contraste com o modelo multilateral defendido por Macron e outros líderes da União Europeia.

O que está em jogo para Europa e EUA

No Fórum Econômico Mundial, Emmanuel Macron reafirmou sua posição contrária a políticas protecionistas e coercitivas, defendendo um multilateralismo forte, instrumentos de resposta comercial robustos e o reforço de parcerias econômicas diversificadas. Sua fala aponta para um momento de redefinição de estratégias entre aliados tradicionais, enquanto as tensões comerciais e diplomáticas se intensificam no cenário global.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

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