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há 7 meses

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MS recupera fôlego no mercado dos EUA, mas incertezas com a China pressionam setor da carne

Indústrias sul-mato-grossenses comemoram fim da sobretaxa americana, mas temem novas barreiras chinesas à proteína bovina

O encerramento da tarifa extra de 40% aplicada pelos Estados Unidos à carne bovina brasileira devolveu ao Mato Grosso do Sul um cenário de maior estabilidade e competitividade nas exportações. No entanto, segundo o Sicadems (Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de MS), a apreensão agora se desloca para a China, que estuda impor medidas mais duras ao ingresso do produto brasileiro, mesmo sendo hoje o maior comprador do Estado.

O anúncio feito por Washington na quinta-feira (20) beneficia mais de 200 itens, entre eles café, cacau, açaí, castanha de caju, tomate, especiarias e outros produtos agrícolas. A retirada do peso tarifário alivia parte da pauta exportadora sul-mato-grossense, especialmente a carne bovina, que vinha perdendo espaço no mercado americano desde o aumento das taxas.

Alems

De acordo com o Sicadems, apesar do alívio, o clima no setor ainda é de cautela. A entidade avalia que o momento não permite projeções firmes, já que o governo chinês discute a criação de cotas, novas exigências e possíveis limitações sobre importadores brasileiros. Para o sindicato, o mercado trabalha em estado de atenção porque a China concentra a maior parte da demanda pela carne do Estado.

O governo chinês já antecipou que pretende adotar um pacote de mudanças após a entrada em vigor de uma Salvaguarda, prevista para ser detalhada no dia 26 de novembro. Entre as alterações estudadas estão fiscalizações alfandegárias mais frequentes, definição de quotas de importação, congelamento de novas habilitações de frigoríficos e restrições de crédito a empresas compradoras. O entendimento das indústrias é que o setor deve acompanhar os desdobramentos antes de projetar impactos mais amplos.

Efeito nos Estados Unidos

A Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) avalia que o fim da sobretaxa devolve a Mato Grosso do Sul parte da competitividade perdida nos últimos meses. A pasta destaca que os Estados Unidos são o segundo principal destino das exportações sul-mato-grossenses, representando aproximadamente 7% da balança comercial estadual, o equivalente a cerca de US$ 700 milhões anuais.

A mudança passa a valer para mercadorias que ingressaram em território americano a partir de 13 de novembro, data da reunião entre o ministro Mauro Vieira e o secretário Marco Rubio. O diálogo encerrou semanas de negociações que haviam se iniciado em outubro, após Donald Trump anunciar um tarifaço global que elevou a carga sobre os produtos brasileiros a 50%.

Em julho, o governo americano havia reduzido tarifas de quase 700 itens, incluindo celulose, ferro-gusa e aeronaves, mas manteve a carne bovina entre os produtos mais afetados. A Semadesc lembra que, embora setores como o de celulose já tivessem sido beneficiados, a carne seguia como ponto crítico, junto com a própria celulose, na relação comercial do Estado com os EUA.

Exportações do Estado

Segundo o Boletim de Comércio Exterior referente ao período de janeiro a outubro, a celulose continua liderando a pauta de exportações do Mato Grosso do Sul, representando 29,34% do total, com 5,8 milhões de toneladas enviadas e movimentação de US$ 2,66 bilhões.

A soja ocupa a segunda posição, com 24,51% de participação, seguida da carne bovina, responsável por 16,36% do total exportado — cerca de US$ 1,48 bilhão em 272,9 mil toneladas.

A China segue como principal destino das mercadorias sul-mato-grossenses, com mais de US$ 4,14 bilhões movimentados no período. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com cerca de US$ 448 milhões.
 

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