O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quinta-feira (21), durante o programa Bom Dia, Ministro, que o mercado de trabalho brasileiro está preparado para enfrentar os impactos do aumento das tarifas de importação anunciado pelos Estados Unidos. Segundo ele, o governo já mobilizou ações emergenciais para proteger empresas e trabalhadores, e o momento econômico do país favorece a absorção de eventuais perdas.
“O mercado de trabalho brasileiro está adequado e vamos dar conta do recado. Temos medidas prontas, estamos preparados para reagir”, disse Marinho, durante entrevista transmitida pelo Canal Gov.
As tarifas adicionais de 50% afetam produtos brasileiros exportados aos EUA. Para minimizar os efeitos, o governo federal lançou no último dia 13 de agosto o Plano Brasil Soberano, uma medida provisória com R$ 30 bilhões em financiamentos, linhas de crédito, prorrogação de prazos tributários e ampliação de programas como o Reintegra.
O plano também incentiva o consumo interno dos produtos afetados, como frutas e alimentos, por meio de compras públicas para merenda escolar, hospitais e presídios.
Emprego em alta e renda em crescimento
Marinho destacou que o país vive um momento positivo no mercado de trabalho. Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego caiu para 5,8% entre abril e junho, a menor da série histórica iniciada em 2012. Só nos últimos dois anos e meio, foram criados 4,4 milhões de empregos formais.
Além disso, a renda média e a massa salarial também apresentaram crescimento real. O ministro reforçou que a valorização do salário mínimo e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até dois salários mínimos contribuíram para esse avanço.
“Não estamos apenas aumentando o número de empregos, estamos aumentando a renda do trabalhador. O crescimento dos salários fortalece o consumo e a economia do país”, destacou Marinho.
Impacto será limitado e absorvível, diz ministro
Um estudo do BNDES citado por Marinho estima que, no pior cenário, o tarifaço poderia fechar até 320 mil postos de trabalho. Ainda assim, o ministro minimizou o impacto, lembrando que o Brasil tem hoje cerca de 48 milhões de trabalhadores formais.
“Não seria um desastre total. Alguns setores sentirão mais, outros menos. E o mercado aquecido pode absorver boa parte dessas perdas”, afirmou.
Ele ainda citou que há vagas abertas não preenchidas por falta de mão de obra qualificada, e que o governo trabalha com o setor produtivo, o Sistema S e as universidades para qualificar trabalhadores.
Dependência dos EUA é menor e Brasil busca novos mercados
Luiz Marinho também reforçou que a dependência da economia brasileira em relação aos EUA tem diminuído. Enquanto a participação dos norte-americanos nas exportações brasileiras já chegou a 25%, hoje representa apenas 12%.
“Estamos abrindo novos mercados. Já são mais de 400 aberturas de mercado para produtos brasileiros desde 2023, e esse número só vai crescer”, afirmou o ministro.


