Mato Grosso do Sul figura entre os estados com maior comprometimento da receita em despesas de pessoal. De acordo com o RREO em Foco – Estados e DF, divulgado pelo Tesouro Nacional, 59% da receita total do Estado no 3º bimestre de 2025 foi destinada ao pagamento de servidores.
O percentual coloca MS em terceiro lugar no ranking nacional, atrás apenas do Rio Grande do Norte (72%) e do Rio Grande do Sul (63%). Pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), o teto para esse tipo de gasto é de 60% da receita corrente líquida — margem que o Estado praticamente alcançou.

Receita e despesa em alta
O estudo mostra que a receita corrente sul-mato-grossense somou R$ 12,7 bilhões no período, crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Já as despesas correntes avançaram 16%, passando de R$ 9,77 bilhões para R$ 11,33 bilhões. Segundo o Tesouro Nacional, “o avanço das despesas em ritmo maior que o das receitas pressiona os limites da LRF e exige medidas de ajuste”.
Apesar da pressão sobre a folha, o Estado teve bom desempenho na quitação de dívidas de exercícios anteriores (Restos a Pagar), alcançando 81% de pagamentos, índice um dos mais altos do país. Por outro lado, chamou atenção o baixo percentual de aplicação proporcional em saúde, de apenas 9% da receita.
Corte de gastos
Diante do cenário, o governo estadual anunciou, no início de agosto, um decreto de contingenciamento que prevê corte de até 25% em despesas de custeio, como energia, combustível e manutenção predial. Segundo o governador Eduardo Riedel (PP), a decisão foi tomada para “preservar investimentos, estimados em R$ 2,5 bilhões anuais, sem repassar custos à população”.
Ele reforçou que a prioridade é proteger áreas essenciais. “Crise é crise. Estamos fazendo um pente-fino nos gastos para garantir que a saúde, a educação e a segurança continuem funcionando plenamente. Projetos importantes, mas não urgentes, ficarão para depois”, afirmou.


