Frigoríficos de Mato Grosso do Sul pararam de exportar carne bovina aos Estados Unidos após o governo americano anunciar uma tarifa extra de 50% sobre produtos brasileiros. A medida, que começa a valer em 1º de agosto, tornou inviável financeiramente manter os embarques.
Segundo o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados (Sicadems), empresas como JBS, Minerva, Naturafrig e Agroindustrial Iguatemi suspenderam a produção voltada exclusivamente ao mercado norte-americano. A decisão é estratégica para evitar prejuízos com produtos que já chegariam ao destino com a nova taxação.
“A produção para os Estados Unidos foi interrompida. Estamos buscando redirecionar os estoques para outros mercados, já que manter as exportações nessas condições não compensa”, afirmou o vice-presidente do sindicato, Alberto Sérgio Capucci.
Os frigoríficos agora buscam alternativas para escoar a carne já produzida. Parte do volume poderá ser enviada ao Chile e ao Egito, além de redirecionamento ao mercado interno e países parceiros do Mercosul.
Nos primeiros seis meses de 2025, Mato Grosso do Sul exportou US$ 145,2 milhões em carne bovina desossada e congelada aos Estados Unidos. O valor representa aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano passado.
O secretário estadual de Desenvolvimento, Jaime Verruck, confirmou que os abates de bois destinados aos EUA foram suspensos. Ele alertou ainda para o acúmulo de estoques nas unidades exportadoras.
“A carne que sair agora não chegará a tempo. A tendência é que fique retida aqui, o que pode até gerar queda de preços no mercado interno”, disse.
A Associação Brasileira de Exportadores de Carne (Abiec) também relatou queda no fluxo de produção voltada aos EUA e afirmou que indústrias estão negociando com outros países para realocar os lotes. China, Oriente Médio e Sudeste Asiático são os mercados mais cotados.
O governador Eduardo Riedel considerou a medida dos EUA um equívoco e defendeu a solução diplomática. Para ele, a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos precisa ser preservada.
Economistas avaliam que a tarifa tem viés político e apontam incertezas quanto à permanência da medida, diante do histórico instável do ex-presidente Trump. Mesmo assim, o setor já se movimenta para evitar prejuízos maiores.


