A nova tarifa de 10% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve provocar impactos imediatos na economia de Mato Grosso do Sul. Em 2024, o estado movimentou quase US$ 670 milhões em exportações para o mercado norte-americano, valor que corresponde a mais da metade das vendas externas de proteína animal, além de produtos como celulose, óleos e gorduras.
Com a taxação anunciada pelo presidente Donald Trump, os produtos sul-mato-grossenses perdem competitividade, e as cadeias produtivas locais são pressionadas a reduzir preços para manter contratos e acesso ao mercado dos EUA. O aumento de custos torna a manutenção das margens de lucro mais difícil, principalmente em setores como o de carnes, que lideram as exportações para o país.
A medida adotada pelos EUA afeta não apenas Mato Grosso do Sul, mas todo o Brasil e outros grandes exportadores. Ainda assim, os efeitos regionais são significativos, pois o estado mantém um comércio forte com o mercado norte-americano, que cresceu mais de 28% entre 2023 e 2024.
A perspectiva de realocação desses produtos para outros mercados não é simples. A China e a União Europeia, que também sofrem com tarifas, já consomem boa parte da produção. Nesse cenário, resta ao setor produtivo sul-mato-grossense buscar formas de adaptação, apostando em maior produtividade e redução de custos para manter-se competitivo mesmo diante das barreiras comerciais.
Apesar da preocupação, especialistas veem possibilidade de crescimento em outras regiões, especialmente na Ásia. Países como Índia, Vietnã e Indonésia, com economias em expansão, podem se tornar novos destinos para os produtos brasileiros, abrindo caminhos alternativos para enfrentar a nova configuração do comércio internacional.


