A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), registrou alta de 0,11% em janeiro, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (24). Apesar de ser o menor índice para o mês desde o início do Plano Real, o resultado ficou acima das expectativas do mercado, que previa uma deflação de 0,02%.
O acumulado em 12 meses desacelerou para 4,5%, em comparação aos 4,71% de dezembro de 2024, mas ainda ultrapassa a meta de inflação do Banco Central, que é de 3%, com tolerância entre 1,5% e 4,5%.
O grupo Alimentação e bebidas foi o principal responsável pela alta, com aumento de 1,06% e impacto de 0,23 ponto percentual no índice geral. Os maiores vilões foram o tomate, que subiu 17,12%, e o café moído, com alta de 7,07%. A alimentação em domicílio também registrou variação positiva de 1,10%.
Outros grupos que contribuíram para o avanço do índice foram Transportes, com alta de 1,01%, e Artigos de residência, que subiram 0,72%. Por outro lado, o grupo Habitação apresentou queda de 3,43%, ajudando a conter um aumento maior no IPCA-15.
Mesmo com a desaceleração em relação ao mês anterior, a inflação segue pressionada por itens essenciais, como alimentos, o que impacta diretamente o orçamento das famílias e impõe desafios para o controle de preços e a política monetária do país.
Ações para reduzir preços dos alimentos e aliviar impacto da inflação
Com os alimentos entre os principais responsáveis pela inflação de 2024, o governo federal convocou ministros e especialistas para debater estratégias que possam aliviar o bolso dos brasileiros. Nesta sexta-feira (24), foi realizada uma reunião no Palácio do Planalto para tratar do tema, que continua sendo um desafio central na agenda econômica. Segundo o IBGE, o grupo de alimentação e bebidas registrou alta de 7,69% nos últimos 12 meses, respondendo por 1,63 pontos percentuais do índice inflacionário, que fechou em 4,83%. Entre os fatores apontados como responsáveis pelo aumento estão eventos climáticos extremos, que afetaram a produção agrícola, e a alta do dólar, que encareceu itens exportados e insumos importados.
Mobilização ministerial
A reunião contou com a participação de ministros das pastas da Casa Civil, Fazenda, Agricultura e Pecuária, além do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar. A meta é desenvolver ações que possam estimular a produção nacional e ampliar a oferta de alimentos no mercado interno, com foco em itens essenciais para as famílias brasileiras.
Entre as alternativas discutidas, o Plano Safra foi destacado como um instrumento capaz de fomentar a agricultura familiar e reduzir custos. O fortalecimento da cadeia produtiva, com incentivos e parcerias com o setor privado, também foi apontado como essencial para reverter o cenário.


