A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o uso do medicamento Mounjaro para o tratamento de diabetes tipo 2 em crianças e adolescentes a partir de 10 anos. A decisão, anunciada nesta quarta-feira (22), amplia a indicação do remédio, que até então era autorizado apenas para adultos.
Segundo a agência, não houve alteração nas demais indicações do fármaco. “A única mudança foi a ampliação da população-alvo para tratamento de diabetes, que era apenas de uso adulto e agora passa a ser de uso pediátrico”, informou em nota.
O Mounjaro, cujo princípio ativo é a tirzepatida, integra a classe de medicamentos conhecidos como agonistas hormonais - popularmente chamados de “canetas emagrecedoras”. Esses remédios atuam no controle da glicose no sangue e também podem influenciar o apetite, contribuindo para a redução de peso em alguns casos.
Com a nova autorização, o medicamento se torna o primeiro dessa categoria com ação dupla - envolvendo hormônios ligados à glicose e ao apetite - liberado para uso pediátrico no Brasil. A indicação permite que médicos considerem o tratamento em situações em que outras terapias não tenham apresentado resultados satisfatórios, sempre com acompanhamento especializado.
Dados recentes apontam que cerca de 213 mil adolescentes convivem com diabetes tipo 2 no país, além de mais de 1,4 milhão com pré-diabetes, cenário que tem acendido o alerta das autoridades de saúde.
A aprovação da Anvisa se baseou em um estudo clínico internacional de fase 3, publicado na revista científica The Lancet. Os efeitos colaterais observados em jovens foram semelhantes aos registrados em adultos, principalmente sintomas gastrointestinais como náusea, diarreia e vômito — geralmente leves a moderados e mais comuns no início do tratamento. Não foram registrados casos de hipoglicemia grave.
Regulação e controle
Paralelamente à ampliação do uso, a Anvisa também intensifica o controle sobre esse tipo de medicamento. Na próxima semana, a diretoria colegiada deve analisar uma proposta de regulamentação para a manipulação das chamadas canetas emagrecedoras.
A medida faz parte de um plano de ação mais amplo, que inclui fiscalização e novas regras técnicas. Além disso, a agência criou dois grupos de trabalho com participação de conselhos profissionais, como o de Farmácia e Medicina, para reforçar a segurança no uso desses produtos e acompanhar a implementação das novas diretrizes.
A decisão marca um avanço nas opções terapêuticas para o público jovem, mas especialistas reforçam que o tratamento deve ser individualizado e conduzido com cautela, devido à fase de desenvolvimento dos pacientes.


