A Prefeitura de Inocência ingressou na Justiça com uma ação de execução fiscal para cobrar R$ 1.805.043,74 em impostos atrasados da Suzano S.A., uma das maiores companhias do setor de celulose com atuação em Mato Grosso do Sul. A cobrança refere-se ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) relacionado às atividades da empresa no município.
O processo foi protocolado em 15 de dezembro e prevê prazo de cinco dias para quitação do débito. Caso não haja pagamento, a administração municipal solicita a adoção de medidas como penhora de bens para garantir o recebimento dos valores.
Detalhamento da dívida
Conforme a certidão de dívida ativa anexada ao processo, o montante cobrado resulta do lançamento de nove débitos distintos, cujos valores variam entre R$ 57,4 mil e R$ 527,5 mil. Até o momento, o caso aguarda manifestação do juiz Olivar Augusto Roberti Coneglian, responsável pela análise inicial da ação.
A cobrança ocorre em meio à ampliação das operações logísticas da Suzano na região, o que elevou a arrecadação potencial de tributos municipais vinculados à prestação de serviços.
Operação logística em Inocência
Embora as principais fábricas da Suzano em Mato Grosso do Sul estejam localizadas em Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo, a empresa mantém em Inocência um porto seco, estrutura estratégica para o escoamento da produção.
No terminal, situado às margens da MS-316, a celulose produzida em Ribas do Rio Pardo chega em caminhões de grande porte, com cerca de 30 metros de comprimento, e é transferida para vagões ferroviários. A carga segue então para o porto de Santos (SP), de onde é exportada para o mercado internacional.
Impacto econômico e crescimento da cidade
Localizada no chamado Vale da Celulose, Inocência vive um período de profundas transformações econômicas e demográficas impulsionadas pelos investimentos no setor florestal. Tradicionalmente sustentada pela pecuária, a economia local passou a dividir espaço com o cultivo de eucalipto e a instalação de grandes empreendimentos industriais.
Além das operações da Suzano, a construção da fábrica da Arauco acelerou o crescimento populacional. O município, que tinha cerca de 8,4 mil habitantes, chegou a registrar estimativas informais de 13 mil moradores em 2025. A prefeitura projeta que a população possa atingir 32 mil pessoas nos próximos três anos, antes de uma estabilização em torno de 19 mil habitantes.
Cenário em análise
A cobrança judicial contra a Suzano ocorre em um momento de expansão econômica regional, mas também evidencia o desafio das administrações municipais em assegurar arrecadação tributária compatível com o aumento da atividade industrial, especialmente em cidades de pequeno porte que passaram a receber grandes empreendimentos.


