O descontentamento com o transporte coletivo de Campo Grande saiu das redes e chegou aos terminais. A petição que pede o fim do contrato com o Consórcio Guaicurus, impulsionada por milhares de usuários, começa nesta semana a ser levada aos principais pontos de embarque da cidade. Com ônibus velhos, superlotados e constantes panes mecânicas, a insatisfação da população virou mobilização popular.
Idealizada pelo vereador Maicon Nogueira (PP), a iniciativa já soma mais de 7,7 mil assinaturas e tem como meta alcançar 50 mil até dezembro. Mesmo sem resposta da Agetran, voluntários confirmaram que a primeira coleta presencial ocorrerá na segunda-feira (13), no Terminal Morenão, durante o horário de pico.
O documento denuncia falhas graves no serviço, como frota envelhecida, atrasos constantes, ausência de seguro obrigatório e falta de acessibilidade. As irregularidades foram apontadas também pela CPI do Transporte, que investigou a atuação do consórcio na Capital.
O movimento ganha força em meio a episódios que chamam a atenção pela precariedade dos veículos , entre eles, ônibus que pegaram fogo, portas que não funcionam e até goteiras durante as chuvas. De acordo com levantamento nacional, a frota de Campo Grande é uma das mais antigas do país, com quase 100 veículos acima de 10 anos de uso, enquanto a média nacional é de 6,5 anos.
A petição pede que a Prefeitura intervenha na concessão, alegando descumprimento contratual e prejuízo direto aos cidadãos. Apesar das falhas, o consórcio ainda é beneficiado com R$ 64 milhões em subsídios e isenções fiscais neste ano, e já faturou mais de R$ 1,2 bilhão desde o início do contrato, em 2012, valores que, segundo o movimento, contrastam com o serviço entregue à população.

