O Ministério da Saúde iniciou a distribuição emergencial do etanol farmacêutico, antídoto utilizado no tratamento de intoxicações por metanol, a cinco estados brasileiros — entre eles, Mato Grosso do Sul, que recebeu 60 ampolas nesta primeira remessa.
A medida faz parte das ações de resposta do governo federal após o aumento de casos suspeitos e confirmados da síndrome tóxica provocada pela ingestão de bebidas adulteradas. Além de Mato Grosso do Sul, também receberam o medicamento Bahia, Pernambuco, Paraná e o Distrito Federal.
De acordo com o Ministério, o envio foi feito conforme a demanda apresentada pelas secretarias estaduais de saúde. No total, 580 ampolas foram distribuídas: 240 para Pernambuco, 100 para o Paraná, 90 para a Bahia, 90 para o Distrito Federal e 60 para Mato Grosso do Sul.
O etanol farmacêutico é o principal antídoto utilizado nos hospitais públicos para neutralizar o efeito tóxico do metanol. As unidades distribuídas fazem parte do estoque da Rede de Hospitais Universitários Federais, em parceria com a Ebserh (Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares).
Casos em investigação e reforço nacional
Segundo boletim do Centro de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde Nacional (CIEVS), o Brasil contabiliza 195 notificações de intoxicação por metanol — 14 confirmadas e 181 em investigação. Entre os registros, há 13 mortes, sendo um óbito em Mato Grosso do Sul ainda sob análise.
A maior concentração de casos segue em São Paulo, com 162 notificações (14 confirmadas). Também há investigações abertas no Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Piauí, que registraram os primeiros pacientes com suspeita da intoxicação.
Ampliação do estoque e da resposta
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou neste sábado (4) a compra adicional de 12 mil unidades de etanol farmacêutico e 2,5 mil de fomepizol, outro medicamento indicado para o tratamento de intoxicação por metanol.
“O Ministério da Saúde atua em tempo real junto às secretarias estaduais e municipais, garantindo o envio dos antídotos e o suporte técnico necessário ao atendimento dos pacientes”, afirmou Padilha.
A Anvisa também mapeou 604 farmácias de manipulação em todo o país aptas a produzir o antídoto, enquanto a Rede Nacional de Laboratórios de Vigilância Sanitária (RNLVISA) mobilizou três unidades com estrutura para análises rápidas: o Lacen-DF, o Laboratório Municipal de São Paulo e o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Saúde (Fiocruz).
Em Mato Grosso do Sul, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MS) mantém equipes em alerta e orienta os hospitais públicos sobre protocolos de atendimento e notificação imediata de casos suspeitos.


