A falta de medicamentos na rede pública de Campo Grande voltou ao centro das discussões e agora está sob cobrança direta do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). Em reunião realizada nesta terça-feira (16), promotores de Justiça exigiram da prefeitura medidas concretas para resolver o problema que vem afetando milhares de pacientes do SUS.
De acordo com o MP, inspeções em UPAs, unidades básicas e no almoxarifado central comprovaram a ausência de remédios essenciais da lista municipal (Remune), incluindo psicotrópicos usados em tratamentos contínuos. A situação foi classificada como “gravíssima” e considerada uma das principais causas do aumento da judicialização da saúde na capital.
Para enfrentar a crise, o MPMS estabeleceu prazo de 15 dias úteis para que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) e a Secretaria de Fazenda entreguem um relatório detalhado sobre débitos com fornecedores, além de um plano com cronograma de compras, licitações e implantação do novo sistema de controle de estoque e-SUS AF.
Representantes da Sesau reconheceram as falhas e informaram que já estão em andamento compras emergenciais e negociações com fornecedores para regularizar a entrega dos medicamentos. O novo sistema de gestão deve ser concluído em até 60 dias, segundo a pasta.
Enquanto isso, a população segue enfrentando prateleiras vazias e recorrendo à Justiça para ter acesso a tratamentos básicos. “Não é só um problema administrativo, é um risco direto para a vida de milhares de pessoas”, alertou o MP.

