Mato Grosso do Sul enfrenta um dos períodos mais delicados do ano do ponto de vista climático. A combinação de calor extremo, ar seco e estiagem prolongada eleva o risco de incêndios florestais a níveis críticos, justamente na transição para a primavera — estação que, apesar de esperada por suas floradas, costuma trazer temperaturas elevadas e chuvas irregulares.
Segundo o Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), vinculado à Semadesc, o Estado atravessa um cenário de alta pressão atmosférica, céu claro, forte insolação e ausência de chuvas, que potencializa o risco de queimadas. Em várias cidades, a umidade relativa do ar chegou a níveis alarmantes, entre 8% e 15%, com temperaturas superiores a 38°C.
Estiagem histórica e risco extremo de fogo
Em municípios como Amambai, Ponta Porã, Três Lagoas e Bataguassu, o ar seco predomina há semanas. Em Campo Grande, Coxim, Corumbá, Dourados e Ivinhema, não chove de forma significativa há mais de 37 dias. Já em Porto Murtinho, o cenário é ainda mais preocupante: 94 dias sem acumulado relevante de chuva.
Com temperaturas acima de 30°C e umidade inferior a 30% por dias consecutivos, o chamado "triângulo do fogo" se forma — uma combinação explosiva que favorece a ignição e a rápida propagação das chamas, mesmo em áreas antes consideradas de baixo risco.
O nível de perigo de fogo segue classificado como extremo, com alta probabilidade de incêndios difíceis de controlar, mesmo com a atuação de brigadas especializadas e apoio aéreo.
Primavera começa em 22 de setembro: calor continua, mas com menos extremos que 2023
A primavera começa oficialmente no dia 22 de setembro, e segundo previsão do Cemtec, a estação será marcada por temperaturas acima da média histórica e chuvas mal distribuídas — especialmente nos meses de setembro e outubro.
“Quando as chuvas ainda não se estabeleceram de forma regular, é comum registrarmos os dias mais quentes do ano. Foi o que vimos em 2023, com temperaturas absurdas no final de setembro e início de outubro”, explica o meteorologista Vinicius Sperling.
Apesar disso, a expectativa para 2025 é menos extrema do que no ano anterior. Em 2023, o Estado enfrentou ondas de calor severas, vendavais e até nuvens de poeira que tomaram cidades como Campo Grande. Para este ano, os modelos climáticos não indicam eventos tão intensos, mas ainda alertam para a possibilidade de tempestades rápidas, ventos fortes e granizo — características típicas da estação.
Incertezas e influência do La Niña
Ainda não há uma confirmação sobre o impacto do fenômeno La Niña, que resfria as águas do Pacífico e altera os padrões climáticos globais. Se ocorrer, poderá influenciar diretamente as chuvas no sul do Brasil — e, indiretamente, o extremo sul de Mato Grosso do Sul.
“MS está em uma área de transição entre o clima tropical e subtropical. Por isso, prever com precisão o comportamento da primavera aqui é sempre um desafio. Podemos ter tanto longos períodos de calor seco quanto frentes frias isoladas com potencial destrutivo”, destaca Sperling.
Previsão para o trimestre: temperaturas acima da média e chuvas irregulares
A primavera termina em 21 de dezembro. Até lá, o Cemtec prevê um trimestre com calor persistente, principalmente nas regiões norte e leste do Estado. Já as chuvas, embora com tendência de retorno gradual, devem ser irregulares, com picos de intensidade seguidos de longos períodos secos.
Esse cenário exige atenção redobrada, especialmente no combate a incêndios florestais, que seguem como uma das maiores ameaças ao meio ambiente e à saúde pública em Mato Grosso do Sul neste período.


