Dois casos marcados pela brutalidade e violência contra mulheres em Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, avançam com rapidez na Justiça. Um deles será julgado nesta sexta-feira (22): o de Jeferson Nunes Ramos, acusado de matar e queimar o corpo da companheira Gisele Cristina Oliskowiski, de 40 anos. O crime, ocorrido em 1º de junho, é o 6º feminicídio registrado apenas na Capital — e um dos 22 ocorridos em todo o Estado em 2025.
Na mesma semana, a Justiça também concluiu a instrução criminal do caso envolvendo Marcos Antônio, acusado de sequestrar e tentar matar a ex-esposa Luciane Borges Nunes, de 46 anos. Ambos os casos estão sob responsabilidade do juiz Aluízio Pereira dos Santos, que destacou a agilidade nos trâmites.
“Encerrei a instrução com a oitiva de mais de 12 testemunhas, tanto de acusação quanto de defesa, além do interrogatório do réu, que optou por permanecer em silêncio. Agora, o processo segue para a fase de alegações finais e, em seguida, será proferida a sentença, que definirá se o caso vai a júri popular ou não”, explicou o magistrado sobre o caso de Marcos Antônio.
Relembre o caso Gisele: brutalidade e comoção
O assassinato de Gisele Cristina Oliskowiski causou comoção pela violência extrema. Segundo o Ministério Público, após uma discussão, Jeferson atingiu a companheira com uma pedrada na cabeça, arrastou o corpo até o quintal da residência, ateou fogo e, em seguida, jogou a vítima ainda com sinais vitais dentro de uma fossa.
“Será um julgamento rápido, se considerarmos a data do crime e o andamento processual”, observou o juiz.
Gisele deixou dois filhos. Em entrevista, a mãe da vítima, bastante abalada, desabafou:
“Isso não se faz nem com um animal. Quero justiça, porque um homem que faz isso é um covarde”, disse.
O crime ocorreu no bairro Aero Rancho, em Campo Grande. A Polícia Militar foi acionada por vizinhos que ouviram os gritos. Ao chegar, os policiais encontraram o acusado amarrado por moradores. O corpo de Gisele foi encontrado parcialmente carbonizado, dentro de um poço no quintal.
Jeferson foi preso em flagrante, teve a prisão convertida em preventiva e aguarda julgamento pelo Tribunal do Júri.
Feminicídios seguem em alta no Estado
Com 22 feminicídios registrados até agosto de 2025, Mato Grosso do Sul segue entre os estados com maiores índices de violência letal contra mulheres. Os crimes ocorreram em diferentes regiões e envolveram, em sua maioria, companheiros ou ex-companheiros das vítimas.
Abaixo, confira a lista dos nomes das mulheres assassinadas no Estado neste ano:
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Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro
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Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro
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Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro
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Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro
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Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro
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Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março
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Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março
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Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 de abril
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Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio
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Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio
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Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaia) – 23 de maio
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Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio
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Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio
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Sophie Eugenia Borges (Campo Grande) – 28 de maio
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Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho
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Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho
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Rose (Costa Rica) – 27 de junho
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Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho
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Juliete Vieira (Naviraí) – 25 de julho
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Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho
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Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto
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Letícia Ferreira Araújo (Cassilândia) - 9 de agosto


