Uma enfermeira da UPA do Jardim Leblon, em Campo Grande, foi agredida por um paciente psiquiátrico na noite de domingo (17) e ficou inconsciente após levar um soco no rosto. A profissional precisou ser submetida a exame de tomografia e continua em acompanhamento médico.
Segundo relato do Sindicato dos Trabalhadores Públicos em Enfermagem (Sinte), a vítima estava digitando na enfermaria quando o paciente, diagnosticado com esquizofrenia e usuário de drogas, levantou-se do leito e a atacou sem motivo aparente. Em seguida, ele voltou a deitar como se nada tivesse ocorrido.
Colegas socorreram a enfermeira e a levaram para a área vermelha da unidade. Depois dos primeiros atendimentos, ela foi encaminhada a um hospital da Capital para exames complementares.
O presidente do Sinte, Ângelo Macedo, afirmou que a falta de protocolos expõe constantemente os trabalhadores.
“Até quando a gestão vai deixar os profissionais vulneráveis? Saímos de casa para cuidar de vidas e corremos o risco de sermos agredidos dentro do próprio local de trabalho”, declarou.
Falta de estrutura e sobrecarga
Macedo também criticou a forma como pacientes psiquiátricos vêm sendo mantidos em UPAs e Centros Regionais de Saúde (CRSs). Segundo ele, as unidades funcionam como “depósitos” enquanto aguardam vaga nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), mas sem estrutura adequada para longas permanências.
“Essas unidades foram criadas para emergências, não para internações de dias ou semanas. O resultado é um ambiente de risco para pacientes e profissionais”, afirmou.
Debate sobre saúde mental dos servidores
No início de agosto, uma audiência pública na Câmara Municipal já havia discutido as condições de trabalho na saúde de Campo Grande. Profissionais relataram sobrecarga, ameaças, falta de medicamentos e desgaste emocional.
Na ocasião, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) disse manter programas de apoio, como o projeto “Cuidar de Quem Cuida”, com atendimentos psicossociais, psiquiatria e psicoterapia, além de acompanhamento em Medicina do Trabalho.
A ocorrência foi atendida pela Guarda Civil Metropolitana e deve ser registrada em boletim de ocorrência.


