Mato Grosso do Sul vai redesenhar a rede de hospitais para que cirurgias e atendimentos de alta complexidade deixem de se concentrar apenas em Campo Grande e Dourados. A “nova arquitetura da saúde” foi apresentada nesta sexta-feira (15) pela Secretaria Estadual de Saúde e já começa a ser implantada na próxima semana, com publicação de resolução e início da contratação das unidades.
O projeto mantém as quatro macrorregiões (Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Corumbá), mas cria microrregiões para que hospitais regionais e de apoio assumam procedimentos que hoje exigem longos deslocamentos de pacientes. “Queremos que o atendimento ocorra o mais perto possível da casa do paciente, com menos filas e mais resolutividade”, afirmou o secretário de Saúde, Maurício Simões.
Financiamento por produção
O modelo de repasse também muda. Além do orçamento anual, que já era de R$ 90 a R$ 100 milhões, o Estado fez um aporte extra de R$ 30 milhões para a implantação da nova estrutura. Cada hospital passará a receber um valor fixo para manter equipes e outro variável, de acordo com o volume de atendimentos realizados.
“É um estímulo para que cada unidade assuma um perfil próprio, aumente a produção e evite sobrecarga nas capitais regionais”, disse Simões.
Interior ganha protagonismo
O modelo já está em fase piloto em hospitais de Coxim, Ribas do Rio Pardo, Aquidauana e Maracaju, que passaram a fazer cirurgias antes enviadas para Campo Grande. Sidrolândia deve aderir em breve.
Dez cidades do Estado, que no ano passado não registraram nenhum atendimento hospitalar, terão que decidir se mantêm estrutura mínima ou se transferem pacientes para polos regionais com mais capacidade.
Obras e inaugurações
Um dos maiores investimentos será no Hospital Regional de Campo Grande, que ganhará nova torre com 250 leitos, centro cirúrgico e UTI, via parceria público-privada (PPP) estimada em R$ 1 bilhão ao longo de 30 anos. O edital sai em setembro, o leilão está previsto para dezembro e as obras começam em 2026. Após a entrega, o prédio atual será reformado para receber especialidades de menor complexidade.
No interior, a principal entrega será o Hospital Regional de Dourados, com inauguração prevista para setembro e operação plena a partir de janeiro de 2026. A unidade terá hemodinâmica, oncologia e atendimento a gestantes de alto risco, atendendo todo o sul do Estado.
Já em Corumbá, o planejamento prevê a entrega do Hospital Geral até 2030, com maternidade e serviços de alta complexidade para a região do Pantanal.
Critério é eficiência
De acordo com a SES, o redesenho levou em conta indicadores como número de leitos, taxa de ocupação, disponibilidade de médicos e enfermeiros, equipamentos e capacidade de resolver casos no próprio município. Hoje, apenas 14 das 79 cidades conseguem atender até 100% da demanda local.
“Não é só construir prédio. É ter equipe, equipamentos e gestão eficiente para que o hospital realmente funcione”, reforçou Simões.


