Faltando apenas quatro dias para o prazo final, Dourados corre sério risco de perder R$ 7,6 milhões do PAC Saúde 2023 — valor que garantiria a construção de dois novos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e da Central de Regulação do SAMU. O motivo: atraso da Prefeitura na homologação das licitações. O prazo, que vence em 15 de agosto, já foi prorrogado três vezes pelo Ministério da Saúde e não será renovado novamente.
O alerta foi feito pelo deputado federal Geraldo Resende (PSDB-MS), que articulou os recursos em Brasília e vem cobrando providências da gestão municipal. Segundo ele, caso a licitação não seja concluída a tempo, o município ficará sem o investimento — um prejuízo que vai muito além do dinheiro.
“Estou indignado. Temos recursos garantidos no Ministério da Saúde e nada foi feito. Não podemos assistir passivamente a mais essa oportunidade escapar”, disse o parlamentar.
Estrutura precária e urgência no investimento
Hoje, as duas unidades do CAPS de Dourados funcionam em imóveis alugados e improvisados, sem a estrutura adequada para atender a população. Os novos prédios seriam construídos em locais próprios, com ambiente planejado para oferecer tratamento digno e eficaz.
O CAPS Infantojuvenil receberia R$ 2,14 milhões para atender crianças e adolescentes com transtornos mentais graves, enquanto o CAPS Álcool e Drogas teria R$ 2,49 milhões para oferecer tratamento e acompanhamento a dependentes químicos. Já a Central de Regulação do SAMU, essencial para organizar o atendimento de urgência, receberia R$ 3,05 milhões.
Impacto regional
Dourados é referência em saúde para mais de 800 mil habitantes da macrorregião. A perda dos recursos significaria manter a sobrecarga dos serviços e adiar, por tempo indeterminado, melhorias que já estão garantidas no orçamento federal.
Geraldo Resende afirma ter acionado o Ministério Público Estadual e o Ministério Público Federal para tentar impedir a perda. Ele também pediu apoio de vereadores, da Associação Comercial e Empresarial de Dourados e da imprensa local.
“Esta é uma luta pela saúde e pelo futuro da nossa população. Não se trata de disputa política, mas de garantir um direito que já foi conquistado. É hora de agir, antes que seja tarde demais”, reforça.


