A partir desta sexta-feira (1º), cerca de 300 estabelecimentos comerciais de Campo Grande, entre bares, supermercados, restaurantes e indústrias, terão de buscar novas alternativas para a destinação de seus resíduos sólidos. A CG Solurb, concessionária responsável pela coleta pública na cidade, deixará de atender os chamados "grandes geradores", como previsto em acordo judicial homologado em julho.
A medida, que não atinge condomínios residenciais, tem gerado forte reação por parte do setor produtivo, que teme uma elevação significativa de custos e impacto direto no bolso do consumidor final.
“Esse aumento gerará prejuízos, afetando a saúde financeira de bares e restaurantes que ainda buscam uma recuperação completa dos efeitos da pandemia”, afirma João Francisco Denardi, presidente da Abrasel-MS (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
A entidade estima que a contratação de empresas privadas especializadas pode triplicar os custos atuais. Para a AMAS (Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados), o impacto pode ser ainda maior.
“O valor do serviço vai aumentar de 4 a 5 vezes por loja”, alertou o presidente Denyson Prado, que criticou a condução do processo e cobrou mais diálogo entre os setores afetados e o poder público.
Origem da decisão
A suspensão da coleta decorre de uma ação movida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), que questionou a legalidade da atuação da Solurb junto a empresas privadas. Segundo o MP, os contratos com grandes geradores não constavam no contrato de concessão e geraram mais de R$ 9 milhões em receita entre 2019 e 2021 — sem repasse de benefícios à população ou redução na tarifa pública.
A Prefeitura e a Agereg (Agência Municipal de Regulação) defenderam a legalidade dos contratos, argumentando que os serviços prestados aos grandes geradores eram executados com logística independente e não interferiam no contrato público.
Mesmo assim, Solurb, Prefeitura e Agereg firmaram acordo judicial no fim de 2024 para encerrar o atendimento aos grandes geradores em até 180 dias, sob pena de descumprimento contratual. A Justiça homologou o pacto em julho de 2025, selando o cronograma de desligamento.
Fiems pede mais prazo e alerta para risco sanitário
Na última semana, a Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul) entrou com pedido judicial de suspensão dos efeitos do acordo, solicitando mais 120 dias para que as empresas possam se adaptar e contratar novos prestadores. A entidade alega não ter sido consultada durante o processo e alerta para riscos sanitários caso a suspensão ocorra sem transição adequada.
“A iminência da suspensão dos serviços no dia 31 prejudicará gravemente o funcionamento das empresas, podendo causar danos sanitários e ambientais irreversíveis”, diz trecho do pedido protocolado na Justiça.
O juiz Ariovaldo Nantes Corrêa agendou uma nova audiência de conciliação para esta quarta-feira (30), às 16h, com possibilidade de participação remota. A reunião pode definir alternativas para evitar um colapso na coleta comercial na cidade.
Prefeitura diz que responsabilidade agora é das empresas
Em nota, a Prefeitura, por meio da Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano), reafirmou que a Solurb não possui exclusividade sobre a coleta de resíduos de grandes geradores. A administração disponibilizou uma lista com 38 empresas cadastradas para o serviço no site oficial e orienta que os contratos firmados com os novos prestadores sejam informados à Planurb para controle e fiscalização.
Solurb confirma desligamento
A CG Solurb confirmou oficialmente que deixará de atender os grandes geradores a partir de 1º de agosto, reforçando que todos os clientes foram notificados com 60 dias de antecedência. Segundo a empresa, 95% dos contratos já foram encerrados formalmente.
“A medida não afeta a coleta domiciliar regular e segue o que está previsto no Decreto Municipal nº 13.653/2018”, informou a empresa.
Confira algumas empresas habilitadas para coleta de resíduos em Campo Grande
Recicláveis (papel, plástico, latas):
– Berpram Reciclagem
– Comércio de Papel Buracão
– Ambiental Solutions
Orgânicos e rejeitos comuns:
– MS Ambiental
– Morhena Ambiental
– Sol Brasil Soluções Ambientais
Perigosos e de saúde:
– Ecosupply Recicladora
– Colecta Reciclagem
– Oxinal Oxigênio Nacional
Óleo vegetal e resíduos animais:
– LPX Agroindustrial
– D&D Transporte e Coletas
– Katu Oil
E agora?
Enquanto o impasse não é resolvido judicialmente, empresários vivem dias de incerteza. O desfecho da audiência desta quarta-feira será decisivo para os rumos da coleta de resíduos sólidos na capital sul-mato-grossense. Para muitos, o relógio corre contra o tempo — e o custo pode ser alto.


