Mato Grosso do Sul intensificou significativamente suas campanhas de vacinação em 2025, com foco em duas frentes principais: a baixa cobertura vacinal contra Influenza e o risco iminente de reintrodução do sarampo nas regiões de fronteira com a Bolívia.
A resposta veio em forma de ações emergenciais coordenadas entre Governo do Estado, prefeituras e Ministério da Saúde, resultando em números expressivos e estratégias inéditas para alcançar públicos prioritários e conter ameaças sanitárias.
77 mil pessoas vacinadas contra Influenza com apoio emergencial
Diante da baixa adesão à campanha nacional de vacinação contra a gripe — com cobertura de apenas 22,35% entre os grupos prioritários —, o Governo de MS lançou um plano emergencial de imunização entre 28 de abril e 10 de maio, com R$ 825 mil em repasses diretos aos 79 municípios.
O resultado foi a vacinação de 77.774 pessoas em menos de duas semanas.
Entre os principais públicos atendidos estão:
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Idosos com 60 anos ou mais: 45.466 doses aplicadas
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Crianças de 6 meses a 5 anos: 26.895 vacinadas
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Gestantes: 5.413 imunizadas
Esses grupos, considerados os mais vulneráveis às complicações causadas pela Influenza, seguem como foco nas ações estaduais.
“Conseguimos avançar significativamente graças à rápida mobilização das equipes municipais e apoio técnico da SES”, afirma Frederico Moraes, gerente de Imunização da Secretaria de Estado de Saúde (SES). “Agora, o objetivo é alcançar os 90% de cobertura estabelecidos pelo Ministério da Saúde.”
Campanha mobilizou escolas, creches e ILPIs
Para garantir o acesso à vacina, a SES promoveu uma verdadeira força-tarefa que envolveu 631 instituições em todo o estado:
- 114 ILPIs (Instituições de Longa Permanência para Idosos)
- 218 Ceinfs (Centros de Educação Infantil)
- 299 EMEIs (Escolas Municipais de Educação Infantil)
A vacinação foi levada também a locais de grande circulação, domicílios e escolas, além de um forte engajamento no Dia D nacional de imunização.
A capital, Campo Grande — que enfrentou estado de emergência em saúde pública em abril — recebeu um aporte específico de R$ 140 mil, enquanto os demais municípios tiveram repasses de até R$ 25 mil, conforme o porte populacional e critérios de vulnerabilidade.
Sarampo volta a preocupar: fronteira com Bolívia em alerta
Ao mesmo tempo, a ameaça do sarampo voltou ao radar das autoridades sanitárias em MS. Com a Bolívia enfrentando um surto da doença — já são 60 casos confirmados —, o Ministério da Saúde lançou o Dia D de vacinação contra o sarampo em Corumbá, Ladário e municípios de fronteira, incluindo estados como Acre, Rondônia e Mato Grosso.
O foco é vacinar todas as pessoas de 6 meses a 59 anos que não tenham comprovação da imunização. A vacina contra o sarampo é gratuita, segura e disponível em toda a rede pública.
“Estamos reforçando as ações de bloqueio vacinal para evitar a reintrodução do vírus no Brasil. A população deve procurar os postos e se vacinar”, reforça Frederico Moraes.
Brasil mantém certificado de eliminação, mas casos importados preocupam
Até o momento, o Brasil confirmou 14 casos importados de sarampo em 2025 — todos relacionados a viagens à Bolívia. Esses casos não comprometem o certificado de eliminação da doença concedido pela OMS (Organização Mundial da Saúde), mas exigem vigilância constante, especialmente nas fronteiras.
Por isso, a SES de Mato Grosso do Sul, em parceria com o Ministério da Saúde, promoveu entre 24 e 26 de julho um encontro técnico-científico sobre o sarampo, com atividades em Campo Grande e Corumbá. O evento reuniu equipes de imunização, vigilância epidemiológica e laboratórios para capacitar profissionais de saúde no manejo de casos suspeitos.
Outras ações e números relevantes
No município de Campos Lindos (TO), que também faz fronteira com a Bolívia, foram confirmados 9 casos de sarampo. O governo federal realizou bloqueio vacinal com aplicação de 644 doses e monitoramento de 660 pessoas.
O envio de 600 mil doses de vacina contra o sarampo à Bolívia reforça o papel do Brasil no combate regional à doença.
O alerta se estende a quem pretende viajar para países com surto ativo, como Canadá, México, Estados Unidos e Argentina.
Vacinação continua sendo a principal ferramenta de proteção
Apesar do avanço das campanhas, a SES reforça que muitas pessoas ainda não completaram os esquemas vacinais, o que representa um risco coletivo, especialmente diante da circulação internacional de vírus como o do sarampo.
“A vacinação é a única maneira segura e eficaz de proteger a população. Precisamos manter esse ritmo e ampliar a cobertura nos próximos meses”, alerta Moraes.
A recomendação vale para toda a população, especialmente para crianças, gestantes, idosos e pessoas com comorbidades.
Onde se vacinar em MS?
Postos de saúde seguem com doses disponíveis para Influenza, sarampo, covid-19 e outras vacinas do calendário nacional. Em Campo Grande e em cidades da fronteira, mutirões e pontos móveis continuam sendo organizados aos finais de semana e em locais estratégicos.
A população deve apresentar documento com foto e a caderneta de vacinação, se disponível.


