Assistentes sociais e psicólogos da Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) de Campo Grande realizaram, na manhã desta terça-feira (22), uma paralisação de advertência em frente à Prefeitura. O protesto expôs o crescente descontentamento da categoria, que denuncia salários congelados, ausência de progressão de carreira e deterioração das condições de trabalho.
“Estamos sem reajuste salarial há anos. O plano de cargos e carreiras existe apenas no papel, e a chamada ‘folha secreta’ continua ativa. Só tivemos um aumento real no ano em que o Marquinhos Trad se lançou como candidato ao governo”, relatou a assistente social Ana Paula, de 51 anos, uma das manifestantes.
A mobilização teve início às 9h e seguiu até as 11h, com cartazes, discursos públicos e cobranças direcionadas à prefeita Adriane Lopes. Os trabalhadores pedem que antigas promessas de valorização profissional sejam finalmente cumpridas.
“Estamos esgotadas. É frustrante ver o serviço se deteriorando, os usuários desamparados e nossos salários parados, enquanto a demanda só cresce”, desabafou Ana Paula.
A psicóloga Pamela Dalla Vechia, de 33 anos, também participou do protesto e reforçou as críticas à falta de diálogo por parte da gestão.
“Paralisamos porque não conseguimos mais negociar com a Prefeitura. Eles sugeriram incorporar o auxílio-alimentação ao salário base, mas não aceitamos e apresentamos uma contraproposta fundamentada. A gestão alega falta de recursos, mas o orçamento já está previsto. Queremos entender por que não está sendo executado”, questionou.
Segundo Pamela, até mesmo os adicionais previstos em lei, como gratificações por qualificação, só são pagos por meio de decisões judiciais. “Tudo o que reivindicamos já está garantido por lei. O que queremos é ter acesso a esses direitos sem precisar judicializar.”
Ela também relembrou que a prefeita Adriane Lopes, quando ainda era vice-prefeita, anunciou publicamente que o PCCR seria implementado em junho de 2023. “A prefeita disse que a SAS era a menina dos olhos dela. Mas, até agora, o plano não saiu do papel.”
Por sua vez, a Prefeitura de Campo Grande afirmou que recebeu representantes da categoria e apresentou uma proposta "dentro dos limites legais e orçamentários" previstos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Apesar de a proposta ter sido rejeitada, a administração municipal reafirmou seu compromisso com o diálogo e disse estar em busca de alternativas viáveis para atender às demandas dos servidores.
Cabe destacar que a paralisação ocorre em um cenário de congelamento salarial que já dura três anos. Nesse mesmo período, os gastos da Prefeitura com pessoal aumentaram em mais de R$ 400 milhões, segundo os servidores. Eles denunciam desigualdade salarial, falta de critérios para progressão na carreira e ausência de diálogo efetivo com a gestão.
O PCCR, elaborado há anos, continua sem ser implementado — e a indignação da categoria cresce a cada novo adiamento.


