Com mais de 11.652 atendimentos realizados em apenas um dia, a mobilização ‘Ação Cidadania #TodosPorElas – Pelo Fim do Feminicídio’ levou centenas de serviços gratuitos à população e ampliou o debate sobre o enfrentamento à violência contra as mulheres. O evento aconteceu no sábado (19), no Parque Jacques da Luz, no bairro Moreninhas, em Campo Grande, e envolveu diversas instituições públicas e privadas.
A ação integrou serviços nas áreas de saúde, cidadania, assistência social, educação, cultura, esporte e lazer. Desde o início da manhã, moradores da região formaram filas à espera dos atendimentos. A estrutura contou com cerca de 300 serviços gratuitos disponíveis à comunidade.
"É uma iniciativa que mostra a força da união entre os órgãos públicos e a sociedade civil no combate à violência de gênero", destacou a prefeita Adriane Lopes, ao participar da abertura do evento.
Acolhimento e escuta
No estande do Promuse (Programa Mulher Segura), da Polícia Militar, mulheres encontraram espaço seguro para relatar situações de violência e receber orientação. Uma das participantes, que terá sua identidade preservada, compartilhou sua experiência após sofrer agressões constantes durante um relacionamento abusivo.
“Não queria que minha filha crescesse vendo tudo aquilo. É importante saber que não estamos sozinhas”, disse a mulher, ao reforçar a importância de ações como essa para o acolhimento de vítimas.
Acesso a direitos e inclusão
O mutirão também facilitou o acesso a documentos e serviços para pessoas com deficiência. Rosilene Urbieta, de 45 anos, conseguiu emitir a segunda via do RG para o sobrinho Ryan, de 19 anos, cadeirante e não verbal. “Quando o serviço vem até o bairro, tudo melhora. Evitamos deslocamentos longos e complicados para ele”, relatou.
Além da prestação de serviços, a programação contou com o Campeonato de Futebol Feminino, promovido pela Fundesporte. Para a jogadora Jaqueline Palmeira, de 32 anos, que integra o time “As Aliadas”, o espaço esportivo é também uma forma de afirmação. “No campo ou fora dele, o lugar da mulher é onde ela quiser”, afirmou.
União institucional
A ação foi realizada por meio de uma parceria entre o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, Tribunal de Justiça, Assembleia Legislativa, Fiems e outras entidades. O projeto uniu duas frentes já consolidadas: o programa Ação Cidadania, com mais de 240 mil atendimentos desde 2013, e a campanha #TodosPorElas, idealizada pela desembargadora Jaceguara Dantas, coordenadora da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do TJMS.
“Nosso objetivo é fazer com que cada mulher atendida aqui hoje possa assumir o protagonismo da sua história e romper com o ciclo da violência”, afirmou a magistrada.
A vice-presidente da Fiems, Cláudia Volpini, também reforçou a responsabilidade do setor produtivo. “Cada vaga de trabalho, cada programa de capacitação representa um passo firme no combate à violência. A transformação precisa acontecer dentro e fora das organizações”, defendeu.
Compromisso com o futuro
A secretária de Estado de Cidadania, Viviane Luiza, lembrou que o enfrentamento à violência começa na educação. “Precisamos ensinar desde cedo que esse tipo de comportamento não é normal. Só assim nossas meninas poderão crescer livres e seguras, sabendo que têm o direito de ser o que quiserem”, declarou.
Entre as ações permanentes do Governo do Estado, destaque para as Salas Lilás, já implantadas em 49 municípios, e o próprio Promuse, que assegura acompanhamento contínuo e humanizado às vítimas de violência doméstica.
Para o deputado estadual Pedro Kemp, que representou a Assembleia Legislativa, o combate ao feminicídio exige engajamento coletivo. “A principal causa da violência contra as mulheres é a cultura machista. A mudança precisa ser estrutural e envolver todos os setores da sociedade”, pontuou.


