“São grupos que historicamente exercem papel relevante na conservação ambiental.” A fala de Marta Antunes, do IBGE, resume a importância das populações tradicionais nas Unidades de Conservação (UCs) — e em Mato Grosso do Sul, esse papel tem rosto indígena.
Segundo o Censo 2022, 9,89% dos moradores de UCs no estado se identificam como indígenas. É o terceiro maior percentual do país, atrás apenas da Paraíba (23,41%) e do Amazonas (13,04%).
Apesar do protagonismo, a realidade é de vulnerabilidade. Quase 60% dos indígenas que vivem nessas áreas enfrentam ao menos uma forma de precariedade — como falta de água, esgoto ou coleta de lixo.
Em todo o Brasil, 132 mil indígenas residem em UCs. A maioria (98,73%) vive em unidades de uso sustentável, como Áreas de Proteção Ambiental (APAs). Apenas 1,11% moram em UCs de proteção integral.
No Mato Grosso do Sul, a maioria dessas áreas é gerida por estados ou municípios. Apenas 0,92% dos moradores de UCs vivem sob gestão federal, o que pode afetar a destinação de recursos e políticas públicas.
O levantamento mostra ainda que 51% da população indígena em UCs no estado vive em áreas rurais. No Centro-Oeste, é onde há menor presença urbana desses povos: só 27% estão em cidades.
Entre todas as pessoas que vivem em UCs no Brasil — cerca de 11,8 milhões —, 40% convivem com alguma forma de precariedade. E 7,3% vivem sem os três itens básicos: água encanada, coleta de lixo e esgoto.
A presença indígena também é maior nas áreas mais restritivas: 8,74% dos indígenas vivem em UCs de proteção integral, contra 1,11% da população geral nessas regiões.
Para o IBGE, os dados ajudam a desenhar políticas públicas mais eficazes. “São populações invisibilizadas por anos, mas fundamentais para a proteção da biodiversidade”, conclui Marta Antunes.


