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REGIÃO CENTRAL

há 11 meses

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Centro de Campo Grande convive com abandono e medo

Moradores e comerciantes relatam violência, mortes e sensação de insegurança com aumento da população em situação de rua

“Já fui agredida com um soco no nariz por uma usuária de drogas.” O relato é de Maria*, comerciante há mais de 40 anos na região da antiga rodoviária, no centro de Campo Grande. Ela resume o clima de medo e abandono que tomou conta do coração da cidade.

Em meio ao movimento de trabalhadores e consumidores, cresce a presença de pessoas em situação de rua, muitas em sofrimento mental ou sob efeito de entorpecentes. A convivência forçada tem resultado em tensão, prejuízos e tragédias.

Alems

Só nesta semana, dois atropelamentos fatais envolvendo moradores de rua acenderam o alerta. Ambos ocorreram na Avenida Afonso Pena, cartão-postal da Capital, em trechos de grande fluxo de veículos.

A última vítima foi Rosimar Ferreira dos Santos, 51 anos, atingida por uma caminhonete na noite de terça-feira (8), no cruzamento com a 13 de Maio. A motorista prestou socorro, mas Rosimar morreu no local.

No domingo (6), outro homem – ainda não identificado – morreu após ser atropelado por um Honda Fit na mesma avenida, na altura da Ernesto Geisel. O condutor fugiu, mas se apresentou depois à polícia.

Para comerciantes e moradores, a situação está fora de controle. “A prefeitura tirou todo mundo, voltou tudo de novo. Já estão roubando fio, queimando, arrombando. O centro agora é deles”, afirma Wilson, que mora na área central.

A insegurança também afeta os ambulantes. Na terça (9), agentes da Semadur demoliram uma garaparia na Praça Aquidauana. O comerciante João Gomes, 70 anos, diz que perdeu tudo sem aviso. “Ainda tô pagando o empréstimo. Fiz o pedido de alvará, mas destruíram antes.”

Segundo a prefeitura, mais de 3 mil abordagens sociais foram feitas no centro da Capital de janeiro a junho. Só o Centro POP, principal ponto de apoio, realizou mais de 5 mil atendimentos e distribuiu 22 mil refeições.

A Secretaria de Assistência Social afirma que a crise não é nova, mas ganhou visibilidade após a pandemia. “Não podemos obrigar ninguém a se tratar. O acolhimento respeita a vontade do cidadão”, informou a pasta.

Mesmo com ações, o centro de Campo Grande segue marcado por disputas invisíveis. Entre grades, grades improvisadas e segurança particular, comerciantes buscam sobreviver em uma região onde o abandono fala mais alto.

*Nome fictício a pedido da fonte.

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