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Arroba do boi gordo bate recorde histórico e chega a R$ 372,95

Alta de 7,8% em relação ao início de setembro é impulsionada pela redução da oferta de animais, exportações aquecidas e aumento da demanda por carne bovina.

O preço da arroba do boi gordo atingiu R$ 372,95 nesta segunda-feira (5), no mercado paulista, alcançando o maior valor nominal da história. O patamar representa uma valorização de 7,8% em relação ao início de setembro, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

O recorde ocorre em um cenário de oferta mais restrita de animais prontos para o abate e demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto no exterior. O movimento chama a atenção do setor pecuário, especialmente em estados com forte participação na produção de carne bovina, como Mato Grosso do Sul.

De acordo com o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, do Cepea, as incertezas envolvendo as tarifas comerciais impostas pela China levaram confinadores a reduzir a quantidade de animais colocados em engorda entre junho e julho.

Essa decisão se reflete agora na disponibilidade de bovinos para o abate, contribuindo para a valorização da arroba.

Além disso, as exportações de gado vivo registraram forte movimentação ao longo de 2026, reduzindo a oferta de animais destinados aos frigoríficos brasileiros e pressionando os preços de reposição.

China impõe tarifa adicional de 55%

Um dos fatores que influenciam o mercado é a política comercial chinesa. Desde 1º de outubro, a China aplica uma tarifa adicional de 55% sobre a carne bovina brasileira que ultrapassar a cota de 1,1 milhão de toneladas estabelecida para este ano.

Para 2027, a cota sujeita à tarifa de 12% será de 1,128 milhão de toneladas. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) trabalha com a expectativa de que os embarques destinados ao preenchimento dessa cota comecem ainda em novembro.

Apesar das restrições chinesas, outros mercados ampliam as compras de carne brasileira, entre eles os Estados Unidos, contribuindo para sustentar a demanda externa.

Consumo interno também impulsiona os preços

No Brasil, o consumo de carne bovina permanece aquecido. Segundo a avaliação do Cepea, a movimentação econômica relacionada às eleições e à Copa do Mundo contribuiu para estimular a procura por proteína animal.

A combinação entre demanda elevada e menor disponibilidade de gado para abate favorece a valorização dos preços pagos aos pecuaristas.

O cenário também pode representar pressão adicional sobre os preços da carne bovina comercializada nos supermercados e açougues, embora o repasse ao consumidor dependa de outros fatores, como custos industriais, distribuição e margens do comércio.

Reflexos para Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, estado que tem a pecuária bovina entre suas principais atividades econômicas, o avanço da arroba no mercado paulista serve como referência para acompanhar as tendências nacionais do setor.

Entretanto, os preços praticados nas diferentes regiões do país podem variar conforme a oferta local, as condições de negociação e a demanda dos frigoríficos.

Embora o valor de R$ 372,95 represente um recorde nominal, o indicador não considera a inflação acumulada ao longo dos anos. Por isso, o resultado não significa necessariamente que a arroba tenha atingido seu maior poder de compra da história.

A evolução das exportações, a disponibilidade de animais para abate e as negociações comerciais com a China devem continuar influenciando o comportamento dos preços nas próximas semanas.

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