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há 7 meses

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Joesley Batista foi a Caracas em meio à crise entre EUA e Venezuela, dizem fontes

Empresário teria conversado diretamente com Nicolás Maduro após apelo de Trump por uma saída do poder; governo americano tinha conhecimento da viagem, mas não fez solicitação formal

Joesley Batista, cofundador da JBS, realizou na semana passada uma visita a Caracas com o objetivo de atuar como interlocutor em um momento de forte tensão entre os Estados Unidos e o governo venezuelano. Segundo pessoas a par do assunto, o empresário se encontrou com o presidente Nicolás Maduro no dia 23 de novembro e tentou convencê-lo a renunciar, atendendo ao pedido feito por Donald Trump para que deixasse o cargo e permitisse uma transição política sem violência.

Ainda de acordo com essas fontes, que falaram sob condição de anonimato, Batista tomou a iniciativa de viajar por conta própria. Integrantes do governo norte-americano estavam cientes de seus planos e do teor que ele pretendia levar ao encontro, mas ele não teria sido designado oficialmente nem atuado a pedido de Washington.

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Em nota, a J&F, holding da família Batista, afirmou que Joesley “não representa nenhum governo”. A Casa Branca preferiu não se manifestar. Autoridades venezuelanas, incluindo o Ministério da Informação e o gabinete da vice-presidente Delcy Rodríguez, também não responderam aos pedidos de comentário.

A visita ocorre em um momento de escalada nas relações entre os dois países. Após meses de operações dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas na região, Trump voltou a fazer declarações duras e mencionou a possibilidade de ações terrestres em solo venezuelano. Washington não reconhece a legitimidade do atual governo de Maduro, acusa o regime de fraude eleitoral e de facilitar rotas do narcotráfico a partir da América do Sul.

Nos últimos meses, diferentes atores tentaram construir canais de diálogo alternativos para evitar uma intensificação do conflito. Entre eles estão o enviado norte-americano Richard Grenell, representantes do Catar e investidores ligados aos setores financeiro e petrolífero com interesses no país. As propostas em circulação variam desde a permanência de Maduro por um período limitado até a possibilidade de exílio, mas todas têm como objetivo conter uma escalada militar direta.

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, chegou a demonstrar ceticismo quanto à chance de um acordo com o governo venezuelano, citando o histórico de descumprimento de compromissos. Ainda assim, afirmou que esforços diplomáticos não podem ser completamente descartados.

Batista, por sua vez, é visto como alguém que transita em diferentes círculos de poder. A JBS, por meio da controlada americana Pilgrim’s Pride, chegou a doar US$ 5 milhões para o comitê inaugural de Trump. Além disso, a companhia conseguiu recentemente autorização para listar suas ações na Bolsa de Nova York, após enfrentar resistência de grupos ambientalistas e investidores críticos devido a denúncias envolvendo corrupção e desmatamento.

No início do ano, Joesley também se reuniu com Trump para tratar de temas ligados ao setor de carnes, incluindo a retirada de tarifas sobre a carne bovina, e defendeu uma reaproximação entre o ex-presidente americano e o atual presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. A JBS emprega dezenas de milhares de pessoas nos Estados Unidos e no Canadá e é hoje a maior produtora de proteínas do mundo.

A ligação dos Batista com a Venezuela não é recente. Há cerca de uma década, a JBS negociou com o governo Maduro um contrato bilionário para fornecimento de carne e frango em um período marcado por desabastecimento e hiperinflação no país. As tratativas contaram com a participação de Diosdado Cabello, figura central do chavismo e atual ministro do Interior.

A empresa controlada pela família também avaliou, no passado, investimentos no setor de petróleo venezuelano, incluindo a possibilidade de uma sociedade envolvendo ativos que haviam sido nacionalizados durante o governo de Hugo Chávez.

A trajetória de Joesley Batista é marcada por forte ascensão e controvérsias. Ele ajudou a transformar um pequeno açougue fundado por seu pai em um conglomerado global, com participação decisiva de financiamentos do BNDES em anos anteriores. Em 2017, seu nome ganhou destaque ao firmar acordo de delação premiada e revelar o pagamento de propinas a políticos e autoridades, episódio que culminou em uma crise política e financeira conhecida como “Joesley Day”.

Um dia após a sua passagem por Caracas, os Estados Unidos anunciaram a classificação do chamado Cartel de los Soles — grupo que supostamente envolve integrantes do alto escalão venezuelano — como organização terrorista estrangeira, ampliando ainda mais a pressão internacional sobre o governo de Maduro.
 

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