O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) na tarde desta terça-feira (23) para esclarecer as circunstâncias de uma arma de fogo registrada em seu nome, apreendida durante uma abordagem policial a um veículo de um membro de sua equipe de segurança. A oitiva ocorreu de forma remota, em conformidade com as medidas cautelares vigentes que restringem a liberdade do ex-mandatário.
O foco central do depoimento foi a procedência do armamento e as razões pelas quais ele se encontrava sob a posse de um militar do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no momento da interceptação. Segundo fontes próximas à investigação, o procedimento visava confrontar a versão apresentada pela defesa com os fatos colhidos no momento da apreensão, ocorrida durante uma blitz de rotina nas proximidades da residência de Bolsonaro, no Jardim Botânico.
Em petição enviada anteriormente ao Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do ex-presidente assumiu a propriedade da arma. Os advogados argumentaram que o objeto apresentava um defeito técnico e que, por esse motivo, o ex-presidente teria autorizado o militar de sua equipe a levar o item para um serviço de manutenção especializada. O depoimento desta terça-feira serviu para formalizar essa versão perante a autoridade policial, consolidando o registro oficial do relato sobre a cadeia de custódia e a destinação final da arma.
A investigação busca agora determinar se houve alguma irregularidade no transporte do armamento ou se o procedimento realizado pela equipe de segurança respeitou as normas vigentes para o porte e trânsito de bens de propriedade do ex-presidente, que atualmente cumpre medidas judiciais restritivas.
Os esclarecimentos prestados à Polícia Civil seguem agora para análise do Ministério Público e, posteriormente, serão encaminhados ao STF, instância que supervisiona os processos envolvendo Bolsonaro. O resultado desta oitiva deve fundamentar a decisão sobre o prosseguimento ou o arquivamento da investigação específica sobre a arma de fogo, mantendo o ex-presidente sob o escrutínio do Judiciário em um cenário de múltiplos processos em trâmite

