O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) abriu um inquérito civil para apurar a demora na realização de exames de polissonografia na rede pública de Campo Grande. A investigação foi motivada pela existência de centenas de pacientes que aguardam há mais de quatro anos pelo procedimento.
De acordo com dados encaminhados pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), há mais de 650 pedidos em fila, sendo o mais antigo registrado em março de 2022.
Tempo de espera acima do recomendado
Levantamento do MPMS indica que o tempo médio de espera chega a 70 meses, superando o parâmetro considerado aceitável pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que classifica como excessivo o prazo superior a 100 dias para exames eletivos.
A principal limitação está na oferta reduzida do procedimento, concentrada no Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), que disponibiliza apenas nove vagas por mês.
Entre setembro de 2024 e agosto de 2025, foram realizados 117 exames, número considerado insuficiente diante da demanda acumulada.
Cobranças por ampliação e problemas estruturais
Diante do cenário, o MPMS solicitou esclarecimentos à Sesau e à Secretaria de Estado de Saúde (SES) sobre medidas para ampliar o atendimento, incluindo a possibilidade de contratação de novos prestadores e detalhes de um edital em elaboração.
Também foram requisitadas informações ao Humap sobre a capacidade de ampliação do serviço.
Além da limitação de vagas, a investigação identificou entraves estruturais, como a ausência de registro do exame no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (Cnes) e a falta de classificação ocupacional específica para o profissional responsável pelo procedimento, o que dificulta a organização da rede.
Faltas agravam situação
Outro fator que impacta o atendimento é o alto índice de ausência dos pacientes agendados. Em outubro de 2025, menos da metade dos convocados compareceu para realizar o exame.
A apuração faz parte de um acompanhamento mais amplo do MPMS sobre filas de exames especializados na capital, que também envolvem procedimentos como ressonância magnética, colonoscopia e endoscopia digestiva.


