Diante da ameaça de uma paralisação nacional de caminhoneiros, o governo federal intensificou, nesta semana, a adoção de medidas para reduzir tensões com a categoria. O aumento no preço do diesel, associado ao cenário internacional, tem sido o principal fator de insatisfação entre os profissionais do transporte.
Medidas para garantir frete mínimo
O ministro dos Transportes, Renan Filho, deve anunciar iniciativas voltadas ao reforço da fiscalização da tabela do piso mínimo do frete. A proposta inclui mecanismos mais rígidos para coibir o descumprimento da norma e punir infratores recorrentes.
Segundo o ministro, a intenção é tornar a política mais eficaz e assegurar melhores condições de remuneração aos caminhoneiros. “Essa é uma defesa concreta do caminhoneiro garantindo remuneração justa pelo cumprimento da tabela, concorrência leal e mais eficiência para a logística do país”, disse pelas redes sociais.
Fiscalização de combustíveis é ampliada
Em paralelo, o governo também anunciou uma operação nacional para monitorar preços de combustíveis. De acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram fiscalizados 669 postos em 16 estados, além de 64 distribuidoras e uma refinaria.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância da participação da população no combate a práticas abusivas. “É importante que a sociedade se envolva, que a sociedade procure o Procon nos seus estados para que a gente possa a cada dia mais fechar o cerco sobre esses crimes contra a economia popular, que afetam o abastecimento e afetam o preço na bomba de combustível para todos os brasileiros”, afirmou.
Questionado sobre um eventual cenário de greve, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, evitou antecipar ações. “trabalhar com hipóteses não seria adequado nem prudente”.
Governo minimiza risco de paralisação
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou não ver, neste momento, justificativa para uma greve. Ele citou medidas adotadas para conter os impactos econômicos do cenário externo, como a zeragem de tributos federais sobre o diesel.
“Foram feitas duas medidas. Retirou todo o imposto federal, que era o PIS e Cofins. Zerou e ainda está dando uma subvenção para evitar o efeito do preço. E você não tem o condão de parar a guerra. O que você pode fazer é minimizar o impacto. Então, as duas preocupações estão sendo atuadas”, disse.
Entre as ações implementadas está a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, com impacto estimado de queda de R$ 0,32 por litro. Ainda assim, houve reajuste de 11,6% no preço do combustível nas refinarias da Petrobras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou os esforços do governo: “Estamos fazendo um sacrifício enorme, uma engenharia econômica para evitar que os efeitos da irresponsabilidade da guerra cheguem ao povo brasileiro”.
Categoria mantém pressão
Apesar das medidas, entidades representativas seguem sinalizando apoio a uma possível paralisação. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística (CNTTL), a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava) e o Sindicato dos Caminhoneiros de Santos (Sindicam) manifestaram respaldo ao movimento.
Segundo Wallace Landim, conhecido como Chorão, uma assembleia com representantes de diversos estados aprovou a possibilidade de greve, mantendo o cenário de alerta para o governo.


