A Justiça de Mato Grosso do Sul endureceu as condenações no caso da pequena Sophia de Jesus Ocampo, de 2 anos, morta após uma sequência de agressões em Campo Grande. Após recurso do Ministério Público de Mato Grosso do Sul, houve a majoração das penas da mãe e do padrasto da criança, que agora somam quase 70 anos de prisão.
Penas ampliadas e histórico de violência extrema
Com a nova decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, as condenações foram ampliadas. Christian Campoçano Leitheim recebeu pena de 40 anos, 6 meses e 11 dias de reclusão, enquanto Stephanie de Jesus da Silva foi condenada a 26 anos, 6 meses e 11 dias. A majoração considerou circunstâncias que haviam sido subavaliadas na sentença inicial.
Sophia morreu no dia 26 de janeiro de 2023, após dar entrada em estado gravíssimo na UPA Universitário, com múltiplas lesões pelo corpo. As investigações apontaram que a morte não foi um caso isolado, mas o desfecho de uma rotina contínua de violência dentro de casa.
O que apontam as investigações e laudos:
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lesões recorrentes, especialmente na região da cabeça
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hematomas pelo corpo e marcas de mordidas
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sinais de sofrimento ignorados pelos responsáveis
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troca de mensagens entre os acusados relatando as agressões
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ambiente insalubre, sem condições básicas de higiene
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presença de consumo de substâncias ilícitas dentro da residência
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indícios de violência sexual reiterada, com sinais antigos e recentes
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sofrimento físico e psicológico prolongado da vítima
Outro ponto que pesou na decisão foi a conduta da mãe, considerada central no caso. Conforme os autos, ela tinha conhecimento das agressões, participou de episódios de violência e se omitiu diante do estado de saúde da filha.
Mesmo com sintomas graves — como dores intensas, vômitos e debilidade física — não houve busca imediata por atendimento médico.
Além disso, a omissão de socorro foi interpretada como tentativa de ocultar os crimes, já que, segundo o processo, houve resistência em levar a criança ao hospital para evitar a descoberta das agressões.
Ao recorrer, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul destacou agravantes como:
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abuso da relação familiar
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repetição das agressões
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vulnerabilidade extrema da vítima
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consequências graves e irreversíveis
O tribunal acolheu os argumentos e ampliou as penas. Para a acusação, o caso ultrapassa o resultado típico de um homicídio, diante do sofrimento prolongado da vítima, do impacto familiar e da brutalidade dos fatos.
O caso Sophia se tornou símbolo da violência infantil em Mato Grosso do Sul e reforça a necessidade de respostas mais rigorosas diante de crimes cometidos contra crianças, especialmente dentro do próprio lar.


