A construção da ponte internacional da Rota Bioceânica, que ligará o Brasil ao Paraguai, entrou na fase final. Restam cerca de 70 metros para que as estruturas erguidas a partir de cada margem se encontrem, conectando definitivamente as cidades de Porto Murtinho e Carmelo Peralta.
Os trabalhos seguem em ritmo acelerado, especialmente na etapa de concretagem do tabuleiro da ponte. O avanço ocorre por meio do chamado “trem de avanço”, equipamento utilizado para executar a estrutura principal, que está progredindo simultaneamente a partir dos dois lados do Rio Paraguai.
De acordo com o cronograma da obra, a junção das estruturas deverá ocorrer até o final de abril, representando um marco importante para a integração entre os dois países e para o projeto logístico da região.
Construção avança com equipes em ritmo contínuo
A execução da obra conta com equipes que trabalham praticamente de forma ininterrupta para manter o cronograma estabelecido. A coordenação dos trabalhos está sob responsabilidade do engenheiro civil paraguaio Renê Gomez, diretor da construção.
A fiscalização é realizada pelo Ministério de Obras Públicas e Comunicações do Paraguai, pasta comandada pela ministra Claudia Centurion.
A estrutura é considerada estratégica para a consolidação do corredor logístico bioceânico, que pretende facilitar o escoamento de produtos entre o interior da América do Sul e os portos do Pacífico.
Acessos rodoviários também avançam no Paraguai
Paralelamente à construção da ponte, as obras de acesso em território paraguaio seguem dentro do planejamento do consórcio responsável pelo empreendimento. Equipes trabalham na execução de aterros hidráulicos que começam a delinear o traçado do futuro corredor logístico.
O acesso terá cerca de quatro quilômetros e ligará a ponte à Ruta PY-15, conhecida como Ruta Bioceánica. A rodovia segue em direção às cidades de Loma Plata, Filadelfia e Mariscal Estigarribia.
A partir desse ponto, o corredor continua pela chamada Picada 500 até Pozo Hondo, na fronteira com a Argentina, conectando-se às localidades de Misión La Paz e Santa Victoria Este.
Corredor bioceânico deve ampliar comércio internacional
Sem acesso direto ao mar, o Paraguai tem investido na criação de rotas logísticas alternativas para ampliar sua participação no comércio exterior. A Rota Bioceânica surge como uma das principais estratégias para facilitar o transporte de mercadorias até portos do Pacífico.
Entre os destinos previstos estão os portos chilenos de Porto de Mejillones, Porto de Antofagasta, Porto de Tocopilla e Porto de Iquique.
Além de favorecer o comércio paraguaio, o corredor também deve beneficiar exportadores brasileiros, principalmente das regiões do Centro-Oeste e do estado de Mato Grosso do Sul. A nova ligação promete reduzir distâncias até os mercados asiáticos e aumentar a competitividade de produtos agrícolas e industriais.
Com apenas 70 metros restantes para a conclusão da ponte, a obra se aproxima de um momento simbólico: o encontro das duas estruturas sobre o rio, etapa que representa um passo decisivo para a consolidação do corredor bioceânico sul-americano.


