A advogada Ana Claudia Consani de Moraes, cunhada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, prestou serviços ao Banco Master e aparece como autora do Código de Ética da instituição. A informação surgiu em meio às investigações e à repercussão política envolvendo o banco e seu controlador, o empresário Daniel Vorcaro.
Segundo reportagens, a advogada é casada com Leonardo de Moraes, irmão do ministro, e atua como consultora no escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do magistrado. O próprio escritório confirmou que participou da elaboração do Código de Ética do banco como parte de um contrato de prestação de serviços firmado com a instituição financeira.
O caso ganhou repercussão política após parlamentares mencionarem o trabalho realizado pela advogada em meio às discussões sobre o escândalo envolvendo o banco e seus dirigentes.
Código de ética foi produzido pelo escritório ligado à família do ministro
De acordo com as informações divulgadas, o Código de Ética do Banco Master foi elaborado pelo escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes. O documento teria sido produzido com participação direta de Ana Claudia Consani de Moraes, indicada como autora do material.
O texto estabelece regras internas de conduta e transparência para funcionários e executivos da instituição financeira, incluindo diretrizes sobre integridade, prevenção de conflitos de interesse e práticas de governança corporativa.
Apesar das diretrizes previstas no manual, investigações recentes sobre o banco colocaram em dúvida o cumprimento dessas regras. Autoridades apuram suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo a instituição e seus dirigentes.
Contrato milionário com escritório de advocacia
O escritório ligado à esposa de Moraes teria recebido cerca de R$ 80 milhões em honorários pelos serviços prestados ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. O contrato, inicialmente previsto para durar 36 meses, foi encerrado antes do prazo após cerca de 22 meses de atuação.
Durante esse período, a equipe jurídica realizou dezenas de reuniões e produziu pareceres relacionados à estrutura de governança e às políticas internas da instituição financeira.
Em nota divulgada anteriormente, o escritório afirmou que os serviços prestados não envolveram atuação em processos no STF.
Repercussão política e pedidos de convocação
A atuação da advogada também passou a ser alvo de questionamentos políticos. O deputado federal Kim Kataguiri afirmou ter protocolado um requerimento para convocar a advogada a prestar esclarecimentos na CPMI do INSS. O parlamentar também solicitou que o próprio ministro Alexandre de Moraes seja ouvido pela comissão.
O caso ocorre em meio à crise envolvendo o Banco Master, cujo controlador, Daniel Vorcaro, foi alvo de investigações e prisões em operações que apuram crimes financeiros e possíveis irregularidades envolvendo a instituição.
Com a repercussão do escândalo, as relações do banco com autoridades, advogados e figuras públicas passaram a ser analisadas com mais atenção por investigadores e parlamentares, ampliando o debate sobre possíveis conflitos de interesse e a governança no sistema financeiro brasileiro.


