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Saúde

há 4 meses

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Queda no fluxo sanguíneo cerebral pode estar ligada ao início do Alzheimer, aponta pesquisa

Estudo sugere que alterações vasculares e na oxigenação do cérebro podem sinalizar risco da doença antes dos sintomas clínicos

Mudanças sutis na circulação sanguínea do cérebro podem estar associadas ao desenvolvimento do Alzheimer antes mesmo das primeiras manifestações cognitivas. A conclusão é de um estudo publicado em 13 de fevereiro na revista Alzheimer’s Association, conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina Keck da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos.

A investigação envolveu idosos com e sem comprometimento cognitivo e identificou relação entre indicadores de fluxo sanguíneo cerebral, níveis de oxigenação e marcadores clássicos da doença, como o acúmulo de proteína amiloide e a redução do volume do hipocampo — área do cérebro essencial para a memória.

Alems

Os resultados reforçam a hipótese de que a saúde dos vasos sanguíneos cerebrais pode desempenhar papel relevante nas fases iniciais do Alzheimer.

Fluxo sanguíneo e proteínas associadas à doença

“A proteína amiloide e a proteína tau costumam ser vistas como centrais no Alzheimer, mas o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio também são fundamentais”, afirma Amaryllis Tsiknia, principal autora do estudo, em comunicado.

Segundo a pesquisadora, quando o funcionamento vascular cerebral se aproxima do padrão considerado saudável para o envelhecimento, também são observados indicadores ligados a melhor desempenho cognitivo.

Os participantes com parâmetros vasculares mais adequados apresentaram menor concentração de proteína amiloide e maior volume do hipocampo — características associadas a risco reduzido da doença. Já indivíduos com comprometimento cognitivo leve ou demência demonstraram sinais de maior fragilidade no sistema vascular cerebral.

“Essas medidas vasculares parecem captar algo relevante sobre a saúde cerebral e se alinham ao que observamos em exames mais complexos usados no estudo do Alzheimer”, explica Meredith Braskie, autora sênior do trabalho.

Como os pesquisadores mediram as alterações

Para avaliar o funcionamento vascular, a equipe utilizou dois métodos não invasivos. Um deles foi o ultrassom Doppler transcraniano, que mede a velocidade do fluxo sanguíneo nas principais artérias do cérebro. O outro foi a espectroscopia de infravermelho próximo, técnica capaz de analisar a oxigenação do tecido cerebral mais superficial.

Os dados obtidos foram integrados por meio de modelos matemáticos que estimam a eficiência da função vascular cerebral, indicando como o organismo ajusta o fluxo sanguíneo e o fornecimento de oxigênio diante de variações naturais da pressão arterial e do dióxido de carbono.

Potencial para diagnóstico mais precoce

De acordo com os autores, os métodos empregados apresentam custo inferior e menor complexidade em comparação com exames tradicionais, como a ressonância magnética e a tomografia por emissão de pósitrons. Além disso, não envolvem radiação nem aplicação de substâncias injetáveis, o que pode facilitar o uso em programas de triagem.

Apesar dos achados, os pesquisadores ressaltam que o estudo oferece um retrato momentâneo e não estabelece relação de causa e efeito. Pesquisas de acompanhamento já estão em andamento para verificar se as alterações vasculares identificadas conseguem prever a progressão do declínio cognitivo ou a resposta a futuras intervenções terapêuticas.

“Se conseguirmos monitorar esses sinais ao longo do tempo, poderemos identificar pessoas em maior risco mais cedo e avaliar se melhorar a saúde vascular pode retardar as alterações cerebrais ligadas ao Alzheimer”, conclui Tsiknia.

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