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Brasil

há 4 meses

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Projeto presta homenagem a pesquisadora e propõe regras para garantir continuidade de estudo

Batizada de Lei Tatiana Coelho Sampaio, proposta estabelece diretrizes para assegurar estabilidade jurídica e administrativa a pesquisas financiadas com recursos públicos no DF

Um projeto de lei apresentado nesta quarta-feira (25) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) propõe a criação de normas voltadas à proteção e à continuidade de pesquisas científicas no Distrito Federal. A iniciativa é de autoria do deputado distrital Eduardo Pedrosa (União Brasil) e ainda será analisada pelas comissões permanentes antes de seguir para votação em plenário.

A proposta foi denominada “Lei Tatiana Coelho Sampaio”, em reconhecimento à trajetória da pesquisadora brasileira que coordena estudos sobre a polilaminina — substância que apresentou, em pesquisas, potencial para reversão de lesões medulares.

Alems

Segurança jurídica e previsibilidade

O texto estabelece parâmetros para assegurar “segurança jurídica, previsibilidade administrativa e continuidade aos projetos de pesquisa científica, tecnológica nas áreas de saúde e inovação biomédica estratégica, financiados com recursos públicos distritais”.

De acordo com o projeto, bolsas, auxílios e contratos de pesquisa já formalizados não poderão ser suspensos ou cancelados sem justificativa fundamentada. Caso haja interrupção, deverá ser garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa.

Em situações de contingenciamento orçamentário, o governo local precisará comunicar os pesquisadores com antecedência mínima de 90 dias. O Executivo também deverá assegurar recursos para a preservação de materiais biológicos, ensaios clínicos e bancos de dados cuja perda possa ser irreversível.

A proposta ainda determina prioridade no pagamento de bolsas e fomentos individuais em relação a despesas administrativas. Projetos classificados como estratégicos terão tramitação preferencial junto aos órgãos de fomento, regulação e fiscalização do DF.

“No campo da saúde, a pesquisa científica não é apenas produção acadêmica, é esperança concreta para pacientes com câncer, doenças raras, doenças negligenciadas, transtornos do neurodesenvolvimento e condições crônicas que impactam milhares de famílias do Distrito Federal”, disse Eduardo Pedrosa.

Áreas consideradas estratégicas

O projeto define como estratégicas as pesquisas voltadas a danos neurológicos graves, doenças raras, câncer, imunologia e enfermidades negligenciadas. Também entram na lista estudos relacionados a terapias avançadas, biotecnologia, saúde digital e tecnologias assistivas.

A proposta contempla ainda iniciativas destinadas a reduzir a dependência do Distrito Federal em relação à importação de insumos de saúde e a estimular a produção tecnológica local.

Entre os objetivos declarados estão a preservação dos investimentos públicos já realizados, a proteção da propriedade intelectual resultante de recursos distritais e a transparência no cronograma de repasses financeiros. O texto ressalta que a medida está alinhada aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), ao incentivar a incorporação responsável de novas tecnologias na assistência à população.

Justificativa

Na justificativa, o parlamentar argumenta que a interrupção de projetos em razão de instabilidade administrativa ou bloqueios orçamentários tem gerado desperdício de recursos, perda de dados científicos, desmobilização de equipes especializadas e prejuízos a pacientes participantes de pesquisas clínicas.

“O Distrito Federal abriga instituições de excelência, universidades, hospitais de referência e centros de pesquisa com alto potencial de inovação biomédica. Contudo, para que esse ecossistema se fortaleça, é imprescindível assegurar segurança jurídica, previsibilidade e ambiente institucional estável”, disse Eduardo Pedrosa.

O projeto segue agora para tramitação interna na Câmara Legislativa antes de eventual aprovação.

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