A cientista Tatiana Sampaio contestou, nesta segunda-feira (23), questionamentos direcionados aos resultados de pesquisas envolvendo a polilaminina, substância em avaliação para o tratamento de lesões na medula espinhal. Segundo estudos conduzidos na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a molécula pode favorecer a reconexão de nervos e promover algum grau de reversão de paralisias causadas por lesão medular.
As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Roda Viva, exibido pela TV Cultura. Na ocasião, a pesquisadora afirmou que as críticas não levam em conta o caráter técnico das análises realizadas.
Resultados sob questionamento
De acordo com Tatiana, a divulgação pública de dados científicos pode gerar interpretações equivocadas e criar expectativas irreais. Ainda assim, ela defendeu a consistência metodológica do trabalho.
“Esse resultado é muito técnico, então a divulgação desse resultado pode trazer expectativas falsas nas pessoas. Eu aceito discutir essa questão, mas o resultado técnico não é passível de questionamento. Alguém que diga que não são confiáveis os dados de 75%, acho que essa pessoa deveria falar comigo para que ela me apresenta qual a literatura que ela está se baseando. Não tenho dúvidas de que fizemos uma avaliação correta dos dados”, respondeu Tatiana.
A pesquisadora também reiterou confiança nas referências científicas utilizadas ao longo do estudo. “O resultado técnico não é passível de questionamento. Eu sei a literatura que estou me baseando. Eu não tenho dúvida de que nós fizemos uma avaliação correta que nós tivemos”, explica a especialista.
Três décadas de pesquisa
Segundo Tatiana Sampaio, os resultados são fruto de cerca de 30 anos de investigação sobre a polilaminina. Entre oito pacientes diagnosticados com lesão medular completa que participaram da etapa analisada, 75% apresentaram algum nível de recuperação de função motora.
O estudo ainda passa por avaliações quanto ao potencial da substância para restaurar conexões nervosas e reparar danos causados por lesões na medula. A linha de pesquisa tem chamado atenção por abrir perspectivas no tratamento de casos considerados irreversíveis até então.
Tatiana Sampaio é responsável por um dos principais avanços nacionais na área, com foco na recuperação parcial ou total de movimentos em pessoas com lesões graves na medula espinhal.


