As buscas pelas vítimas do naufrágio de uma embarcação que fazia transporte de passageiros em Manaus (AM), ocorrido na sexta-feira (13), chegaram ao terceiro dia nesta segunda-feira (16). De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBAM), a ação já se estendeu por mais de 10 quilômetros e é considerada uma das “operações mais complexas” já executadas pela corporação no Estado.
A lancha partiu da capital amazonense por volta das 12h30 com destino a Nova Olinda do Norte. Segundo os bombeiros, 80 pessoas estavam a bordo no momento do acidente. Desse total, 71 foram resgatadas sem ferimentos graves, duas morreram e sete permanecem desaparecidas.
Desafios no Encontro das Águas
Conforme o CBAM, a área onde ocorreu o naufrágio, próxima ao Encontro das Águas — ponto de convergência dos rios Negro e Solimões —, impõe obstáculos adicionais às equipes de resgate. As características naturais da região dificultam tanto as buscas subaquáticas quanto o monitoramento da superfície.
“Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte. Nós temos diferença de densidade de temperatura no Encontro das Águas. A profundidade é muito grande também. Isso é um complicador para as operações”, afirmou o coronel Muniz, do CBAM.
O oficial também informou que o Grupamento de Bombeiros Marítimo (CBMar), de São Paulo, enviou reforço para auxiliar nas buscas. A equipe é composta por seis bombeiros militares, entre eles um capitão.
Segundo Muniz, após 48 horas do acidente, aumenta a possibilidade de que corpos de vítimas de afogamento venham à superfície, hipótese considerada concreta pelas autoridades. Diante disso, as equipes devem intensificar as buscas na área.
Lista de passageiros e investigações
Embora uma relação com nomes de pessoas que estariam na embarcação tenha circulado, o Corpo de Bombeiros afirma que ainda não há confirmação oficial dos desaparecidos.
“Agora, uma lista oficial é prudente a gente não carimbar . Há especulações. Nós temos nomes reclamados pelos parentes, mas não divulgamos ainda de forma oficial como sendo as pessoas que estão desaparecidas”, relatou o coronel Muniz.
As causas do naufrágio ainda não foram oficialmente divulgadas. Logo após o acidente, embarcações que passavam pelo local prestaram os primeiros socorros e auxiliaram no resgate dos sobreviventes. Posteriormente, foi estruturada uma operação integrada para dar continuidade às buscas.
Ao todo, 25 bombeiros atuaram na ocorrência, com o apoio de três lanchas da corporação e outras viaturas. A Polícia Militar disponibilizou uma embarcação, enquanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) enviou ambulância. A Marinha também participa da ação, inclusive com o uso de aeronave de busca.
Nas redes sociais, circula um vídeo gravado por uma passageira enquanto aguardava socorro. Nas imagens, ela afirma ter alertado o piloto sobre as condições do rio. “Falei para ir devagar”, diz.
Empresa afirma que embarcação estava regular
A empresa responsável pela lancha, Lima de Abreu Navegações, informou, em nota, que a embarcação — identificada como Lima de Abreu XV — estava com documentação regular e inspeções atualizadas.
“Desde o primeiro momento, foram adotadas todas as providências emergenciais cabíveis. A prioridade absoluta da empresa tem sido prestar integral assistência às vítimas e aos seus familiares, oferecendo todo o suporte necessário neste momento de imensa dor. Permanecemos à disposição das autoridades para todos os esclarecimentos necessários, aguardando a conclusão das investigações técnicas. Neste momento, nos solidarizamos com as famílias e amigos das vítimas”, disse a Lima de Abreu e Navegações.
Piloto chegou a ser preso
O comandante da lancha, Pedro José da Silva Gama, de 42 anos, foi detido na noite de sexta-feira (13), no Porto de Manaus, e autuado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Após ser encaminhado à Delegacia Especializada em Homicídio e Sequestros (DEHS), ele foi liberado mediante pagamento de fiança.
No entanto, no sábado (14), o Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) decretou a prisão preventiva do piloto.
“(a) Magistrado(a) subscritor do presente Mandado de Prisão determina ao oficial de justiça ou a qualquer autoridade policial competente que prenda e recolha, em unidade prisional, à disposição do juízo expedidor, a pessoa acima indicada”, diz trecho da decisão judicial.


